Plano Diretor do Corredor Bioceânico recebe 264 propostas de entidades nacionais e internacionais

Secretário Jaime Verruck apresentou os avanços do projeto durante evento no Comando Militar do Oeste

Por Por Redação-

(Créditos: Divulgação)

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O Plano Diretor do Corredor Bioceânico avança com 264 propostas de ações para melhorar a infraestrutura e logística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Durante a 1ª Jornada de Estudos Estratégicos, o secretário Jaime Verruck destacou que a rota fortalecerá a competitividade regional e atrairá investimentos, além de melhorar a conectividade entre os países. Enfatizou a importância do desenvolvimento de projetos em infraestrutura, turismo e segurança, e propôs a criação da 'Rota 67' para conectar o Pantanal ao Deserto do Atacama.

O Plano Diretor do Corredor Bioceânico (CBC) — conjunto de diretrizes e projetos que estruturam a infraestrutura, a logística, a alfândega e outros aspectos da rota de integração rodoviária entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — segue avançando. O diagnóstico que orientará as ações de governança recebeu 264 propostas de soluções apresentadas por entidades públicas e privadas consultadas para desenvolver iniciativas voltadas aos oito governos subnacionais que compõem a rota.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (6) pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, durante palestra na 1ª Jornada de Estudos Estratégicos, realizada no Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande. O evento, que teve como tema “O Corredor Bioceânico de Capricórnio e os impactos para o Centro-Oeste”, reuniu autoridades civis e militares, pesquisadores e representantes do setor produtivo para discutir as transformações econômicas e geopolíticas trazidas pelo projeto.

“O Corredor Bioceânico é uma transformação estrutural para Mato Grosso do Sul. Estamos no centro dessa rota e temos a oportunidade de consolidar o Estado como um hub logístico e comercial do Cone Sul. Esse é um projeto de desenvolvimento e de integração continental”, destacou Verruck.

Durante sua fala, o secretário enfatizou que a rota representa um salto na competitividade regional e na atração de investimentos, reforçando políticas públicas de sustentabilidade e diversificação econômica. Segundo ele, o Governo do Estado tem concentrado esforços em alinhar infraestrutura, inovação e governança territorial à nova dinâmica que o Corredor trará.

Verruck também pontuou os desafios de garantir a conectividade eficiente entre o Centro-Oeste brasileiro, o Chaco paraguaio, o noroeste argentino e o norte chileno, além de ampliar o comércio e a integração econômica intra e extrarregional.

Infraestrutura e integração

As obras da Ponte Internacional da Rota Bioceânica já superam 80% de conclusão e devem ser finalizadas até o fim de 2026. Além da infraestrutura física, o desenvolvimento da rota também avança em processos logísticos e administrativos. “O objetivo do Plano de Ação é colocar todas as seções do Corredor no mesmo nível operacional”, explicou o secretário.

Entre os projetos em andamento estão os de infraestrutura rodoviária, que visam garantir um percurso contínuo e eficiente, e ações para melhoria das passagens de fronteira e instalação de Centros de Coordenação de Fronteiras, considerados essenciais para a próxima fase de implementação.

Projetos nas áreas de telecomunicações, digitalização e redes de energia também estão sendo estruturados, contribuindo para redução de custos operacionais e aumento da eficiência logística. A médio e longo prazo, o Corredor deverá demandar núcleos internos estratégicos para atender ao crescimento da rota.

“Acreditamos que o desenvolvimento econômico local reforçará essa necessidade. É crucial analisar as oportunidades que prefeitos e governos podem gerar para impulsionar o desenvolvimento regional, especialmente no agronegócio e na logística”, acrescentou Verruck.

Turismo e conectividade continental

O turismo é apontado como um dos setores que mais se beneficiarão com a consolidação da rota. Inspirado na histórica Rota 66, dos Estados Unidos, Verruck sugeriu a criação da ‘Rota 67’, que ligará o Pantanal — maior área úmida do planeta — ao Deserto do Atacama, a região árida em maior altitude do mundo.

“Essa rota proporcionará uma experiência única, conectando biodiversidade, cultura e integração. Em breve será possível realizar essa viagem sem procedimentos alfandegários complexos, permitindo que os viajantes desfrutem da jornada em seus próprios veículos”, afirmou.

Segurança compartilhada e visão estratégica

O secretário também destacou a importância da construção coletiva da segurança ao longo do Corredor. “Essa é uma das lógicas centrais. Se o Corredor carecer de elementos que garantam a construção coletiva e o desenvolvimento dessas regiões, a iniciativa corre o risco de se tornar isolada. É essencial que todos os agentes — inclusive os de segurança — participem das decisões e percebam os benefícios diretos da integração”, destacou Verruck.

Além de Verruck, participaram do evento o professor Sandro Teixeira Moita, do Instituto Meira Mattos (ECEME), com a palestra “Cultura Estratégica – Chave para entender a incerteza global”, e o pesquisador Lúcio Flávio Suakozawa, da Rede Universitária da Rota de Integração Latino-Americana (Unirila), que abordou a geopolítica da Rota Bioceânica.

A 1ª Jornada de Estudos Estratégicos, promovida pelo Comando Militar do Oeste, teve como objetivo fortalecer o pensamento estratégico e estimular o diálogo entre os meios acadêmico, militar e governamental sobre temas ligados à defesa, integração e desenvolvimento regional. Ao final do evento, o secretário Jaime Verruck foi agraciado com diploma e medalhas do Exército.