Poucos sabem, mas abrir e fechar a boca é um movimento muito mais complexo do que parece. Por trás de algo tão simples, existe uma estrutura sofisticada chamada ATM (articulação temporomandibular). Localizada logo à frente do ouvido, essa articulação conecta a mandíbula ao crânio e é responsável por funções como mastigar, falar e até bocejar.
Quando essa engrenagem não funciona bem, surge a DTM (disfunção temporomandibular). Trata-se de um conjunto de alterações que comprometem a mobilidade, estabilidade e o conforto da articulação. A DTM pode se manifestar como dores na face, estalos ao abrir e fechar a boca, limitação de movimento, dores de cabeça frequentes, zumbidos no ouvido e até sensação de pressão nos olhos.
As causas são multifatoriais. Algumas estão ligadas a hábitos cotidianos, como apertar ou ranger os dentes (bruxismo), morder objetos e roer unhas. O estresse também é um grande vilão. Além disso, problemas de mordida, traumas na face e má postura cervical pode contribuir. Um fator tem se tornado comum entre as crianças: ansiedade por acesso ilimitado de telas. Diante disso, nota-se que a DTM resulta da soma de fatores.
O diagnóstico deve ser feito por um cirurgião-dentista capacitado. A avaliação envolve exame clínico, histórico do paciente e, em alguns casos, exames de imagem, como radiografia panorâmica, ressonância magnética ou tomografia.
Quanto ao tratamento, a boa notícia é que existem diversas alternativas, e a maioria dos casos pode ser controlada sem cirurgia. Entre as medidas mais indicadas estão uso de placas miorrelaxantes (as chamadas plaquinhas para dormir), que também podem ser usadas durante o dia em casos mais severos, reduzindo a sobrecarga da ATM e desprogramam o vicio neuromuscular temporário. Fisioterapia, com técnicas que melhoram a mobilidade, relaxam músculos e ensinam exercícios de alongamento, ajudam no processo agudo de dor e inflamação.
Ajustes odontológicos compensatórios auxiliam no encaixe adequado da mordida, aplicação de gás ozônio em região próxima à ATM faz a remissão do processo inflamatório agudo e alivia a dor instantaneamente.
Também podem ser utilizados antinflamatórios via oral, sob orientação odontológica e relaxantes musculares eventualmente em casos intensos de dor. Porém, sempre devemos tratar a causa através de controle de estresse, sessões de psicoterapia, atividades físicas que estimulem liberação de endorfina (hormônio da felicidade) e técnicas de relaxamento. Caso contrário, estaremos apenas mascarando temporariamente os sintomas.
O mais importante é entender que sentir dor ao mastigar ou ouvir estalos constantes não é normal. Muitas pessoas convivem com o desconforto achando que é “coisa da idade” ou resultado de estresse passageiro. Na verdade, buscar ajuda especializada logo no início faz toda a diferença: quanto antes tratado, mais simples e mais eficaz é o controle da disfunção. Cuidar da ATM é garantir qualidade de vida. Afinal, essa pequena articulação tem um grande impacto em atividades tão básicas e prazerosas como sorrir, conversar e saborear uma boa refeição.