Mato Grosso do Sul ganhou posição de destaque no avanço da produção florestal brasileira. Três Lagoas foi o município com o maior valor da produção da silvicultura do país em 2025, alcançando R$ 1,8 bilhão, segundo a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa um expressivo crescimento de 216,3% em relação a 2024 e reforça a importância da cadeia de eucalipto e celulose para a economia sul-mato-grossense.
O desempenho de Três Lagoas ocorre em um ano histórico para o setor. O valor da produção florestal brasileira chegou a R$ 47,9 bilhões em 2025, alta de 6,7% em relação ao ano anterior e o maior resultado já registrado pela pesquisa. Desse montante, R$ 41 bilhões vieram da silvicultura, que cresceu 8,6% e passou a representar 85,6% de toda a produção florestal primária. Já a extração vegetal movimentou R$ 6,9 bilhões, com redução de 3,1%.
A expansão das florestas plantadas ajuda a explicar o avanço do setor. O Brasil encerrou 2025 com 10,4 milhões de hectares destinados à silvicultura, dos quais 78,6% eram ocupados por eucalipto. A espécie é uma das principais matérias-primas da indústria de papel e celulose, atividade que colocou o Brasil em posição de liderança internacional. A produção brasileira de celulose chegou a 22,2 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 12,7% na comparação com o ano anterior.
Mato Grosso do Sul está diretamente ligado a esse movimento. Além da liderança nacional de Três Lagoas entre os municípios, a área de florestas plantadas no Estado avançou 30,3% em 2025, em um cenário de expansão da cadeia de celulose. Três Lagoas concentra unidades industriais da Suzano e da Eldorado Brasil, o que ajuda a explicar a dimensão econômica alcançada pela produção florestal do município. A importância da atividade também vem se espalhando por outras regiões de MS com a implantação e expansão de grandes projetos industriais.
O crescimento da produção ocorre apesar de um cenário internacional de preços menos favorável para a celulose. Embora o Brasil tenha ampliado em 12,7% o volume produzido em 2025, o valor associado ao produto no mercado externo ficou em US$ 10,2 bilhões, recuo de 3,9%. Segundo o IBGE, o movimento está relacionado ao excesso de oferta mundial, à desaceleração do consumo chinês, ao aumento dos estoques e a questões cambiais. Ainda assim, a celulose ocupou a posição de oitavo produto mais exportado pelo Brasil em 2025.
Os números ajudam a dimensionar a transformação econômica em curso no leste de Mato Grosso do Sul. Se no ranking estadual Minas Gerais permanece na liderança, com R$ 9,2 bilhões em valor da produção da silvicultura, no recorte municipal é Três Lagoas que ocupa o primeiro lugar brasileiro. O salto de 216,3% em apenas um ano coloca o município sul-mato-grossense como símbolo da expansão de uma cadeia que reúne produção de madeira, logística, indústria e exportação de celulose. [
O avanço também posiciona Mato Grosso do Sul de maneira estratégica diante da crescente demanda industrial por madeira de florestas plantadas. No país, o eucalipto já responde por quase oito de cada dez hectares da silvicultura, enquanto a produção florestal está presente em 4.889 municípios brasileiros. Nesse cenário, a liderança alcançada por Três Lagoas mostra que Mato Grosso do Sul deixou de ser apenas fornecedor de matéria-prima e consolidou uma cadeia industrial ligada à celulose com peso crescente na economia nacional.
Fontes: IBGE, pesquisa PEVS 2025, e Agência Brasil.