Tetê Espíndola e Paulo Simões dão aula sobre raízes da música de MS
Sesc Lageado fechou ciclo de encontros com cinco artistas sul-mato-grossenses; veja quem participou e o que os alunos aprenderam
Reprodução/files.ufgd.edu.br (imagem ilustrativa)
Alunos dos cursos de arte e cultura do Sesc Lageado passaram os meses de julho, agosto e setembro de 2026 sentados diante de cinco nomes que ajudaram a escrever a trilha sonora de Mato Grosso do Sul. Tetê Espíndola, Jerry Espíndola, Karla Coronel, Marlon Maciel e Paulo Simões passaram por palestras-show que misturaram história de vida, canção ao vivo e bate-papo sobre o ofício de compor.
O ciclo integra o Projeto Sesc Raízes, iniciativa nacional do Departamento Nacional do Sesc criada para reaproximar comunidades da própria memória cultural. Em Mato Grosso do Sul, a proposta ganhou um recorte específico: usar os próprios artistas do estado como ponte entre os alunos em formação e as camadas indígenas, pantaneiras, fronteiriças e sertanejas que compõem a identidade sonora sul-mato-grossense.
Cinco trajetórias, um só territórioA presença de Tetê Espíndola resumiu bem o peso do encontro: a cantora e compositora venceu o Festival dos Festivais da TV Globo em 1985 com "Escrito nas Estrelas" e desde então carrega o título de uma das principais referências musicais do estado, com um trabalho construído sobre a pesquisa de sonoridades brasileiras ligadas ao território do Centro-Oeste.
Ao lado dela passaram Jerry Espíndola, da tradicional Família Espíndola, que discutiu com os alunos a fronteira entre a música regional e as linguagens contemporâneas, e Karla Coronel, que dividiu sua experiência na construção de uma carreira que atualiza referências culturais sul-mato-grossenses. Completaram a lista Marlon Maciel, à frente do Grupo Canto da Terra e depois do Marlon Maciel e Grupo Trem Pantaneiro, e Paulo Simões, autor de composições que se tornaram símbolos do estado, como "Trem do Pantanal", "Comitiva Esperança", "Sonhos Guaranis" e "Cunhataiporã".
Por que ensinar raiz para formar artista novoA lógica do Sesc Raízes é simples: quem não conhece a própria referência musical tende a repetir fórmulas de fora e perder o vínculo com o território onde vive. Por isso o ciclo de Lageado tratou a formação artística como formação histórica — cada palestra-show funcionou também como aula sobre como paisagens, comitivas, rios e fronteiras se transformam em letra e melodia.
Para quem estuda música em Mato Grosso do Sul, esse tipo de contato direto tem peso raro: a chance de perguntar pessoalmente a quem compôs os clássicos do estado como nasceu cada canção. É um modelo de formação que o Sesc também tem levado a outras frentes culturais pelo estado, caso do Festival de Inverno de Bonito 2026, e que dialoga com outras iniciativas de valorização da identidade regional em espaços culturais da capital, como o Bioparque Pantanal em datas comemorativas de Campo Grande.
Fontes: SESC-MS; PORTAL DO COMÉRCIO