Rick morreu dias após show em Campo Grande; cantor também animou Camisão em 2022
O sertanejo se apresentou na capital sul-mato-grossense na sexta-feira (18) e em 2022 subiu ao palco na Festa do Peixe de Camisão, em Aquidauana. Veja a ligação de Rick com MS.
Arte/MSConecta
Quatro dias depois de encerrar um show em Campo Grande, o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, morreu na manhã desta terça-feira, 22 de setembro de 2026, quando o helicóptero em que viajava foi encontrado destruído em uma área de difícil acesso na Serra Catarinense. Nenhum dos cinco ocupantes da aeronave sobreviveu — junto com Rick estavam o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio e o copiloto Leopoldo. A identificação completa dos pilotos ainda não havia sido divulgada até o fechamento desta reportagem.
A tragédia encerrou uma trajetória que deixou marcas concretas em Mato Grosso do Sul. Rick havia pisado em solo sul-mato-grossense pela última vez na sexta-feira, 18 de setembro, quando dividiu o palco com Renner e com a dupla Gian & Giovani em um show na capital. Antes disso, em 8 de outubro de 2022, ele e Renner foram uma das atrações da 3ª Festa do Peixe do distrito de Camisão, em Aquidauana — um dos pequenos palcos do interior de MS que guardam a memória de grandes nomes do sertanejo.
Buscas na Serra Catarinense mobilizaram aeronaves de Campo GrandeO helicóptero, um Bell 430, decolou de Porto Belo, no litoral catarinense, com destino a São Joaquim, quando perdeu contato com o solo na tarde de segunda-feira, 21 de setembro. As equipes de resgate trabalharam durante toda a madrugada enfrentando condições meteorológicas adversas e terreno de acesso restrito. A operação reuniu cerca de 40 bombeiros do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, cães de busca e resgate, drones com câmeras térmicas e a aeronave Arcanjo 03.
A Força Aérea Brasileira também entrou na operação. Segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), foram empregados dois helicópteros Black Hawk (H-60) e uma aeronave SC-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano, sediado em Campo Grande. Os destroços foram localizados no fim da manhã desta terça-feira em uma área de difícil acesso. Após a descoberta, as equipes iniciaram a retirada das vítimas para encaminhamento à Polícia Científica de Santa Catarina para identificação e perícia. As causas do acidente seguirão investigação dos órgãos competentes.
De Camisão a Campo Grande: uma carreira que atravessou MSNatural de Monte do Carmo, no Tocantins, Geraldo Antônio de Carvalho — o Rick — começou a cantar aos 10 anos ao lado da irmã Dalva, na dupla Sereno & Serenata. A parceria com Ivair dos Reis Gonçalves, o Renner, nasceu ainda nos anos 1980 e se consolidou como uma das mais populares do sertanejo brasileiro. O primeiro álbum oficial da dupla saiu em 1992; em 1998, "Ela É Demais" dominou as rádios por meses e projetou Rick & Renner nacionalmente.
A Festa do Peixe de Camisão é um dos eventos do interior sul-mato-grossense que recebeu a dupla em seus anos mais ativos. A presença de Rick naquele palco, em outubro de 2022, faz parte de uma agenda extensa que mantinha o cantor em giro constante pelo país — e que o trouxe de volta a MS poucos dias antes de sua morte, aos 59 anos.
Compositor além dos shows: músicas que atravessaram geraçõesAlém da carreira como vocalista, Rick construiu um catálogo sólido como compositor. "Página de Amigos", na voz de Chitãozinho & Xororó; "Só Dá Você na Minha Vida", de João Paulo & Daniel; e "Agenda Rabiscada", gravada por Cleiton & Camargo, estão entre as composições que extrapolaram a voz da própria dupla. Foi Zezé Di Camargo quem indicou a composição "Sabor do Pecado" para Leandro & Leonardo, ajudando a abrir portas para Rick no universo da composição sertaneja.
Outros sucessos como "Nos Bares da Cidade", "Cara de Pau", "Nóis Tropica, Mas Não Cai" e "Filha" compõem uma discografia que vendeu milhões de cópias ao longo das décadas. A dupla manteve uma agenda intensa de shows até os últimos dias — Campo Grande foi uma das últimas paradas de Rick antes do acidente que encerrou sua trajetória.
Fontes: CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE SANTA CATARINA; DECEA; CNN BRASIL; O PANTANEIRO