Sidrolândia usa balão para falar de ansiedade com servidores públicos

Dinâmica da Secretaria de Saúde leva servidores a nomear o que pesa na rotina; ação segue por todo o mês em outras secretarias

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Divulgação/Prefeitura de Sidrolândia

Uma pergunta simples abriu a roda de conversa na Secretaria Municipal de Inovação, Tecnologia, Comunicação e Ciência (SITEC), em Sidrolândia: o que tem pesado por aí? A partir dela, servidores foram convidados a escolher uma palavra, ansiedade, cansaço, pressão, frustração, que resumisse o momento que estavam vivendo. A atividade integra a programação do Setembro Amarelo conduzida pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), vinculada à Secretaria Municipal de Saúde do município.

A escolha do ambiente de trabalho como palco da ação não é acidental. Prazo apertado, cobrança por resultado e rotina de atendimento ao público fazem da repartição pública um terreno fértil para o esgotamento emocional, e é justamente esse tipo de sofrimento silencioso que campanhas como o Setembro Amarelo tentam trazer à tona antes que vire adoecimento mais grave.

Como funcionou a dinâmica do balão

Cada participante recebeu um balão e, de forma voluntária, associou a ele a palavra escolhida. O gesto de estourá-lo, explicam os organizadores, não teve a intenção de apagar o sentimento relatado, mas de interromper o piloto automático do dia a dia e abrir espaço para pensar em formas concretas de cuidado. "A proposta foi estimular uma pausa na rotina para reconhecer as próprias emoções, perceber seus impactos no corpo e refletir sobre atitudes de cuidado possíveis", descreve o material da prefeitura sobre a ação, conduzida pela psicóloga Laura Nantes Pereira, diretora da RAPS.

Ninguém foi obrigado a expor detalhes pessoais diante dos colegas. A regra foi clara desde o início: quem quisesse participar, participava; quem preferisse apenas observar, também tinha esse direito respeitado. A organização reforçou que o sofrimento emocional pode vir de fontes muito diferentes, como trabalho, família, dinheiro, mudanças de vida ou conflitos, e que falar sobre isso, sem julgamento, já é uma forma de cuidado.

Ação vai passar por outras secretarias de Sidrolândia

A SITEC foi apenas o primeiro destino. A RAPS confirmou que a dinâmica será repetida ao longo de setembro em outras secretarias municipais de Sidrolândia, ampliando o alcance da escuta dentro da própria estrutura de governo. A lógica é simples: se o adoecimento mental atravessa qualquer setor, a prevenção também precisa chegar a todos eles.

Para quem sente que o peso relatado na dinâmica ultrapassa uma fase passageira, a rede pública de Sidrolândia lista os caminhos de acolhimento: atendimento pela Unidade Básica de Saúde (UBS), pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e pelos demais serviços do SUS. Em situação de crise, a orientação é procurar a UPA 24h ou ligar para o 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, e informações sobre a rede de saúde também podem ser consultadas pelo aplicativo Meu SUS Digital. Saúde mental também é tema de outras iniciativas na região, como as rodas de conversa realizadas em Campo Grande durante o Setembro Amarelo, voltadas a gestantes.

Fontes: PREFEITURA DE SIDROLÂNDIA