Reserva em Brasilândia (MS) já registrou 113 espécies, entre elas onça e anta

Estudo na RPPN Cisalpina catalogou 91 aves, lobo-guará e onça-parda em área de 3.857 hectares; levantamento segue até 2027

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Reserva em Brasilândia (MS) já registrou 113 espécies, entre elas onça e anta
Foto: Rafael Deminicis / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Uma área de 3.857 hectares de mata preservada em Brasilândia, no leste de Mato Grosso do Sul, virou refúgio para espécies ameaçadas de extinção como a anta, a onça-parda e o lobo-guará. O levantamento de fauna realizado na RPPN Cisalpina, iniciado no segundo semestre de 2025, já catalogou 113 espécies silvestres, segundo o Programa de Monitoramento de Fauna da Cesp, empresa responsável pela reserva.

O número impressiona justamente porque o trabalho está longe de acabar. Das oito campanhas de campo previstas, só três foram concluídas até agora, o que significa que o retrato da biodiversidade da região ainda é parcial. Mesmo assim, a reserva já reúne 91 espécies de aves, 12 de mamíferos, oito de anfíbios e duas de répteis, um conjunto que evidencia a importância da área para a conservação no Estado.

Onça, lobo-guará e anta dividem o mesmo território

Entre os mamíferos registrados estão a jaguatirica e a arara-canindé, além dos três nomes que mais chamam atenção pela situação de ameaça: a anta, considerada vulnerável à extinção nas avaliações nacional e internacional; o lobo-guará, também classificado como vulnerável nas listas estadual e nacional; e a onça-parda, tida como quase ameaçada e que depende de grandes extensões de terra preservada para sobreviver.

A coexistência dessas espécies num único território de 3.857 hectares só é possível porque a RPPN Cisalpina reúne ambientes bem diferentes entre si: Cerrado, Mata Atlântica do Interior e áreas úmidas da planície do rio Paraná. Essa mistura de paisagens cria condições para animais com exigências ecológicas distintas ocuparem a mesma reserva sem disputar os mesmos recursos.

Câmeras e escuta ativa sustentam o monitoramento

Os dados não vieram de observação aleatória. A equipe usou pontos de escuta, percursos de observação, busca ativa em campo e armadilhas fotográficas espalhadas pela mata, somando cerca de 1.483 horas de esforço de monitoramento, incluindo o funcionamento contínuo das câmeras. É essa tecnologia que permite registrar o comportamento de mamíferos como a onça-parda sem que a presença humana interfira nos hábitos do animal.

"Os dados ajudam a orientar a proteção e o manejo da reserva", avalia Odemberg Veronez, gerente de Sustentabilidade da Cesp. Com cinco campanhas ainda pela frente e previsão de conclusão em 2027, a expectativa é que novas espécies apareçam nos próximos registros, reforçando o papel da reserva de Brasilândia como um dos pontos de conservação de fauna silvestre no leste sul-mato-grossense.


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