Prévia da inflação oficial de janeiro perde força e fica em 0,20%
Conta de luz mais barata e queda nas passagens aéreas ajudaram a conter o IPCA-15 no início de 2026.
Marcelo Camargo / Agência Brasil
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A prévia da inflação oficial no Brasil, medida pelo IPCA-15, registrou 0,20% em janeiro, uma queda em relação aos 0,25% de dezembro, impulsionada pela redução nas contas de luz e passagens aéreas. O índice acumula alta de 4,5% em 12 meses, no limite da meta de inflação do governo. Entre os grupos analisados, habitação e transportes apresentaram queda, com a energia elétrica diminuindo em média 2,91%. Por outro lado, alimentos subiram 0,31%, com destaque para o aumento no preço de tomate e batata-inglesa. O IPCA cheio será divulgado no dia 10 de fevereiro.
A prévia da inflação oficial do país perdeu força em janeiro e fechou em 0,20%, abaixo dos 0,25% registrados em dezembro. O resultado foi influenciado principalmente pela redução na conta de luz e pelo recuo no preço das passagens aéreas.
Com o desempenho do primeiro mês de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumula alta de 4,5% em 12 meses, exatamente no limite máximo da meta de inflação definida pelo governo. Em dezembro, o acumulado era de 4,41%.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Grupos que mais influenciaramDos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, dois apresentaram queda nos preços na passagem de dezembro para janeiro:
– Habitação: -0,26%
– Transportes: -0,13%
Os demais grupos tiveram alta, com destaque para saúde e cuidados pessoais (0,81%) e comunicação (0,73%).
Conta de luz puxa inflação para baixoDentro do grupo habitação, a energia elétrica residencial foi o principal fator de desaceleração do índice. A conta de luz recuou, em média, 2,91%, impacto que retirou 1,2 ponto percentual da inflação do mês.
A redução ocorreu após a mudança da bandeira tarifária, determinada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que passou de amarela para verde. Em dezembro, a bandeira amarela previa cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora consumidos. Em janeiro, a bandeira verde não tem custo extra para o consumidor.
Passagens aéreas e transporte urbanoNo grupo transportes, a queda foi puxada principalmente pelas passagens aéreas, que ficaram 8,92% mais baratas em média. Também contribuíram para o recuo os ônibus urbanos, com redução de 2,79%. Em Belo Horizonte, a adoção da tarifa zero aos domingos e feriados levou a uma queda de 18,26% no valor da passagem.
Por outro lado, os combustíveis subiram 1,25% no mês e pressionaram a inflação. O etanol teve alta de 3,59%, seguido pela gasolina (1,01%), gás veicular (0,11%) e óleo diesel (0,03%). A gasolina teve o maior impacto individual positivo do IPCA-15, com 0,05 ponto percentual.
A expectativa para fevereiro, no entanto, é de alívio, após a Petrobras anunciar redução de 5,2% no preço da gasolina vendida às distribuidoras.
Alimentos voltam a subirO grupo alimentação e bebidas subiu 0,31% em janeiro, acelerando em relação aos 0,13% registrados em dezembro. A alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de sete meses de queda e avançou 0,21%.
Entre os principais aumentos estão tomate (16,28%), batata-inglesa (12,74%), frutas (1,65%) e carnes (1,32%). Em sentido contrário, leite longa vida (-7,93%), arroz (-2,02%) e café moído (-1,22%) ajudaram a conter uma alta maior.
Diferença entre IPCA-15 e IPCAO IPCA-15 utiliza a mesma metodologia do IPCA, índice oficial que orienta a política de metas de inflação do governo, atualmente fixada em 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A principal diferença entre os dois indicadores está no período de coleta e na abrangência geográfica. No caso do IPCA-15 divulgado agora, os preços foram coletados entre 13 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026.
O IPCA cheio de janeiro será divulgado no dia 10 de fevereiro.