Greve da Caixa completa 14 dias e trava venda de imóveis em MS
Corretores de Mato Grosso do Sul relatam contratos parados por falta de assinatura da Caixa; banco diz que crédito imobiliário segue disponível pelo app
Reprodução/crecies.gov.br (imagem ilustrativa)
A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal chega nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, ao 14º dia e já derruba negócios do mercado imobiliário em Mato Grosso do Sul. Corretores da capital relatam contratos de financiamento parados à espera de uma simples ligação da agência para marcar a assinatura — e, sem isso, nem o comprador entra no imóvel novo nem o profissional recebe a comissão.
O impasse tem raiz numa negociação salarial que começou em junho e nunca saiu do lugar. Os bancários pediam reposição da inflação mais um ganho real de 5% no salário, mas a Caixa ofereceu apenas 0,6% de aumento real — proposta que 52,95% da categoria rejeitou em votação virtual nacional na segunda-feira, 21 de setembro de 2026. Enquanto o Banco do Brasil e outras instituições fecharam acordo após uma paralisação pontual em 20 de agosto de 2026, a Caixa foi o único banco que não chegou a um entendimento, e a categoria manteve a greve por tempo indeterminado.
Financiamentos do Minha Casa, Minha Vida ficam represados em MSEm Campo Grande, a corretora Jéssica Martins soma três processos de financiamento parados justamente na etapa que depende da Caixa: a ligação para agendar a assinatura do contrato. Segundo ela, boa parte das vendas de imóveis no estado passa pelo programa Minha Casa, Minha Vida, cujo fluxo — assinatura, envio ao cartório de registro e só depois o pagamento ao corretor — está interrompido em cada etapa que depende de um atendente do banco.
"Eu estou com três processos parados que estão faltando o pessoal ligar para assinar o contrato. Como parou, a minha venda também para, porque eu recebo através da Caixa (...) Os clientes me perguntam toda hora e aí nada. Eles também querem pegar a casa, moram de aluguel e tudo mais... Dificulta para todo mundo", relata a corretora.
Corretores dizem estar "à mercê" do fim da paralisaçãoPara Jéssica, a categoria de corretores ficou refém de uma negociação da qual não participa. "A gente fica à mercê porque depende deles. Eles têm que voltar para poder dar continuidade ao nosso processo que está parado lá, para poder avisar que pode assinar o contrato, depois ir para o cartório e aí pagar os corretores", afirma.
Um dos pontos mais sensíveis da negociação nacional é o Saúde Caixa, plano de saúde dos empregados do banco. A nova proposta rejeitada pela categoria previa elevar de 6,5% para 9% da folha de pagamento o limite de participação da Caixa no custeio do plano a partir de 2027 — mudança que, segundo o sindicato, não compensa as perdas salariais acumuladas. Em Campo Grande, o Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região promoveu na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, uma plenária virtual para explicar os termos da proposta antes da votação nacional.
Procurada, a Caixa Econômica Federal informou que os serviços de crédito imobiliário continuam disponíveis durante a greve, com contratações feitas pela jornada digital habitacional e por correspondentes bancários parceiros, além da possibilidade de assinatura eletrônica de documentos pelo fluxo nato-digital. O banco também afirma que o aplicativo do FGTS segue funcionando normalmente para saques e uso do fundo em financiamentos habitacionais.
Fontes: SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE CAMPO GRANDE-MS E REGIÃO; CAIXA ECONÔMICA FEDERAL; TANAMIDIANAVIRAI