O complexo logístico de Porto Murtinho ganha novo impulso com a retomada das operações do terminal da Hidronave, às margens do Rio Paraguai. A estrutura começou a receber 12 mil toneladas de açúcar produzido em Mato Grosso do Sul, carga que será embarcada com destino ao Uruguai e marcará a primeira exportação desta nova fase do empreendimento. O produto chega ao porto por caminhões e permanece armazenado até a liberação para o transporte hidroviário.
A logística montada conecta diretamente as rodovias à hidrovia. O açúcar desembarcado dos caminhões é armazenado no terminal e será carregado a granel nas barcaças por um sistema de correias transportadoras. Depois do embarque, os comboios seguirão pelo Rio Paraguai e pela Bacia do Prata até o Uruguai. O carregamento, entretanto, depende da liberação sanitária, e as informações disponíveis até agora não estabelecem a data de partida das embarcações nem o porto uruguaio em que a mercadoria será descarregada.
A operação é significativa também porque devolve uma estrutura importante ao sistema portuário do município. Em 2026, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) concedeu autorização especial para que o terminal pudesse movimentar cargas de comércio exterior enquanto avança o processo relacionado à outorga definitiva. A Hidronave atua como prestadora de serviços logísticos e também possui operações relacionadas ao transporte hidroviário de minério produzido na região de Corumbá para mercados como Argentina e Uruguai.
Com a retomada da Hidronave, Porto Murtinho passa a contar com dois terminais em operação às margens do Rio Paraguai. O outro pertence à FV Cereais, do Grupo Ithaum, inaugurado em 2020 e com capacidade informada de movimentar até 2 milhões de toneladas por ano de grãos e açúcar. A presença das duas estruturas aumenta as opções disponíveis para produtores e empresas interessados em retirar grandes volumes de mercadorias do Estado pela Hidrovia Paraguai-Paraná.
O movimento acontece justamente quando Porto Murtinho passa por uma reorganização de sua posição no mapa logístico sul-mato-grossense. Além da hidrovia, o município está diretamente ligado à implantação da Rota Bioceânica, criando a perspectiva de integração entre transporte rodoviário, portos fluviais e mercados dos países vizinhos. Projetos privados para novos terminais também estão avançando na região, ampliando a disputa por cargas que tradicionalmente deixam Mato Grosso do Sul por outros corredores.