MPT-MS convoca reunião sobre acúmulo de funções na Santa Casa de CG
Enfermeiros estariam fazendo coletas laboratoriais e transportando pacientes; sindicato registrou boletim de ocorrência e aguarda mediação virtual na sexta (25).
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O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) convocou uma reunião de mediação virtual para a sexta-feira, 25 de setembro de 2026, às 9h30, para tratar do acúmulo de funções imposto aos profissionais de enfermagem da Santa Casa de Campo Grande. O encontro foi provocado pelo departamento jurídico do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) e contará com representantes do sindicato e da administração do hospital.
A denúncia que chegou ao MPT-MS aponta dois desvios de função em particular: a realização de coletas de material biológico — antes feita por laboratório terceirizado, cuja contratação foi encerrada — e o transporte interno de pacientes, tarefa historicamente atribuída a maqueiros. Em ambos os casos, segundo o sindicato, a lacuna foi preenchida pelos próprios enfermeiros, sem reconhecimento formal nem contrapartida.
BO registrado na Depac Centro para resguardar trabalhadoresDiante da gravidade do cenário, o presidente do Siems, Lázaro Santana, registrou um boletim de ocorrência na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro de Campo Grande. A medida, segundo ele, visa formalizar juridicamente a situação das equipes e proteger os profissionais em caso de intercorrências na assistência aos pacientes — ou seja, se algo der errado com um paciente transportado por um enfermeiro sem qualificação de maqueiro, o registro servirá de amparo.
"Também por esse motivo, ainda em setembro, o sindicato estará no hospital com engenheiro do trabalho e equipe técnica para realizar um levantamento da atual situação, avaliar as condições de trabalho e apurar possíveis exposições dos profissionais a agentes insalubres", afirmou Santana.
Crise que se aprofunda: de atrasos salariais a déficit de pessoalO acúmulo de funções não surgiu do nada. O Siems descreve um ambiente de deterioração progressiva: os profissionais já conviviam com superlotação e atrasos no pagamento de salários quando as condições pioraram nos últimos meses. Com déficit de trabalhadores e serviços terceirizados sendo descontinuados, as equipes que ficaram passaram a absorver atribuições que extrapolam o escopo da enfermagem.
A Santa Casa de Campo Grande atravessa investigações do MPMS por suspeita de fraude em contratos e passou por três presidentes em 11 dias em meio à turbulência institucional. A reunião de sexta-feira será o primeiro movimento formal do MPT-MS para tentar mediar a situação dos trabalhadores de enfermagem dentro desse contexto.
Fontes: SIEMS; MIDIAMAX