MPMS suspende creche em Nova Andradina após denúncia de crianças dopadas

Operação Amparo apura maus-tratos no Espaço da Tia Lu; mães relatam banho gelado, puxões de cabelo e spray no rosto das crianças

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Divulgação/Ministério Público de MS

Uma creche particular de Nova Andradina teve as atividades suspensas por decisão judicial nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, depois que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) apurou denúncias de maus-tratos contra crianças matriculadas no local. A Operação Amparo, batizada pelo órgão, cumpriu mandados de busca e apreensão no Espaço da Tia Lu e reuniu equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar para dar suporte à ação.

As suspeitas vieram à tona em 18 de setembro de 2026, quando vídeos gravados dentro do estabelecimento começaram a circular entre famílias. As imagens, segundo a advogada que representa o grupo de mães, mostram crianças dormindo diretamente no chão, sem qualquer estrutura adequada para o descanso, além de berços em condição precária.

Relatos de violência e uso de spray para acalmar crianças

Ex-funcionárias e mães ouvidas pela defesa das famílias descreveram um padrão de agressões dentro da creche: banhos com água fria aplicados como forma de punição, puxões de cabelo e apertões. A orientação repassada às cuidadoras, segundo a advogada, era "bater na cabeça porque não deixava marca".

Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi o uso de um spray borrifado no rosto de crianças agitadas ou que choravam na hora de dormir. Em um dos vídeos, uma funcionária aparece aplicando o produto diretamente sobre bebês que resistiam ao sono. Famílias também relataram que crianças voltavam para casa anormalmente sonolentas, o que reforçou a suspeita de que estivessem sendo dopadas, e que em alguns casos eram forçadas a se alimentar mesmo sem vontade.

Justiça suspende funcionamento e prefeitura nega vínculo com a creche

A pedido do MPMS e da Delegacia Civil, a Vara Criminal e a Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Nova Andradina determinaram a suspensão judicial das atividades do Espaço da Tia Lu como medida de proteção às crianças. A ação foi conduzida pela 2ª e 3ª Promotoria de Justiça da cidade, com apoio da Unidade de Apoio à Investigação do Centro de Inteligência do MPMS.

A Prefeitura de Nova Andradina informou que o estabelecimento é particular, contratado diretamente pelas famílias, e não tem vínculo com a Rede Municipal de Ensino nem passa por acompanhamento pedagógico da Secretaria Municipal de Educação. Segundo o município, assim que a denúncia veio a público os órgãos competentes foram acionados para adotar as providências cabíveis dentro da rede de proteção à infância. A investigação segue em andamento para apurar a extensão dos maus-tratos. Mais notícias sobre a cidade podem ser acompanhadas no hub de Nova Andradina do MSConecta.

Fontes: MINISTÉRIO PÚBLICO DE MATO GROSSO DO SUL; PREFEITURA DE NOVA ANDRADINA