Milho verão avança no RS; MS ainda soma 73 mil ha de soja

Plantio de milho verão chega a 29% no país e RS já passa de 60%; em MS, soja segue em ritmo lento na nova safra

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Arte/MSConecta

O plantio de milho verão da safra 2026/27 já cobre 29% da área estimada em todo o Brasil, com o Rio Grande do Sul na dianteira: mais de 60% da área gaúcha já está semeada, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, pelo Canal Rural. Enquanto o Sul avança rápido, Sudeste e Centro-Oeste — regiões onde Mato Grosso do Sul concentra sua produção — ainda não iniciaram as operações de plantio dessa safra.

O ritmo desigual entre regiões chama atenção justamente num momento em que o produtor sul-mato-grossense começa a se organizar para outra frente de trabalho: a semeadura da soja 2026/27. Levantamento recente do MSConecta mostrou que o estado já havia iniciado os preparativos para a nova temporada, com atenção redobrada às janelas de chuva que definem o cronograma no Centro-Oeste.

Manejo de pragas preocupa produtores no início da safra

Com o avanço do milho verão no Sul, técnicos do setor apontam o manejo de pragas e as condições climáticas como os principais pontos de atenção para os produtores nas próximas semanas. A combinação de temperatura elevada e chuvas irregulares tende a favorecer a proliferação de insetos que atacam a lavoura logo nos estágios iniciais, o que pode comprometer a produtividade se o controle não for feito a tempo.

Em Mato Grosso do Sul, onde o cronograma de plantio de verão costuma vir atrelado à definição das chuvas regulares, esse é um alerta que se repete a cada início de safra. Produtores da região Norte do estado, como Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste, tradicionalmente monitoram de perto o comportamento climático antes de acelerar a semeadura, já que atrasos afetam diretamente a chamada safrinha de milho que vem em sequência.

Esmagamento de soja cresce e sinaliza demanda aquecida

No mercado de soja, os números de julho reforçam um cenário de demanda firme. A BIOV (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) registrou esmagamento de 5,6 milhões de toneladas no mês, volume superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e também acima da média histórica para julho. O dado indica que a indústria de processamento segue absorvendo grãos em ritmo aquecido, mesmo em meio às incertezas do mercado externo.

Essa demanda interna tem efeito direto sobre o produtor de Mato Grosso do Sul, um dos estados que mais colheu soja na safra passada e que já projeta a próxima temporada com 73 mil hectares ocupados pela oleaginosa, conforme apurou o MSConecta em levantamento sobre o avanço da colheita de milho e da semeadura de soja no estado. Um esmagamento forte sustenta preços e estimula o produtor a manter ritmo de plantio, especialmente diante da concorrência do milho verão por área e mão de obra nesta época do ano.

Nos Estados Unidos, o quadro é de cautela: lavouras de soja e milho enfrentam baixa umidade nesta safra, o que tem levado fundos especulativos a se posicionar para um cenário de preços mais favorável ao produtor. O mercado brasileiro, incluindo o de Mato Grosso do Sul, segue de olho nesses sinais externos, já que qualquer aperto na oferta americana tende a beneficiar as exportações do Centro-Oeste brasileiro nos próximos meses.

Fontes: BIOV; CANAL RURAL