Micotoxina na silagem derrubava prenhez de vacas; estudo acha saída

Pesquisa apresentada em Chapecó elevou taxa de prenhez de rebanho leiteiro de menos de 50% para mais de 70% em um mês; MS tem rebanho bovino entre os maiores do país

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Yan Krukau/Pexels

Um problema recorrente em currais de leite do Brasil, a baixa taxa de prenhez das vacas, ganhou uma resposta concreta em uma pesquisa apresentada nesta semana em Chapecó, em Santa Catarina. Em uma propriedade leiteira da região, pesquisadores identificaram três tipos de micotoxinas contaminando a silagem usada na alimentação do rebanho. A substância prejudicava a reprodução dos animais. Com a introdução de um sequestrante de micotoxina na dieta, a taxa de prenhez saltou de menos de 50% para mais de 70% em apenas um mês.

O caso é um dos 92 trabalhos selecionados para o Simpósio de Bovinocultura de Leite, que começou nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, e segue até quinta-feira, 8 de outubro, segundo levantamento divulgado pelo Canal Rural. Ao todo, 108 resumos científicos foram inscritos em 11 áreas da pecuária leiteira, com destaque para suplementação, forragicultura e pastagem, gestão e bem-estar animal, e sanidade. Para quem cria gado leiteiro em Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os maiores rebanhos bovinos do país, o resultado interessa diretamente: contaminação por fungos em silagem é um risco presente em qualquer propriedade que armazena volumoso em clima quente e úmido, como é boa parte do território sul-mato-grossense.

Como a micotoxina age dentro do curral

O trabalho apresentado pelos pesquisadores Larissa e Artur partiu de uma queixa comum entre produtores: vacas que não emprenhavam mesmo com manejo reprodutivo correto. A investigação foi além do manejo e foi direto ao cocho, analisando a composição da silagem oferecida ao rebanho.

A descoberta de três micotoxinas diferentes na forragem armazenada explicou o quadro. Essas substâncias, produzidas por fungos que se desenvolvem durante a fermentação ou o armazenamento mal feito da silagem, afetam hormônios e o sistema imunológico dos bovinos, dificultando a concepção. A correção veio com a inclusão de um aditivo sequestrante de micotoxinas na dieta, estratégia que neutraliza o efeito tóxico antes que ele comprometa a reprodução.

Cadeia do leite em MS pode se beneficiar de pesquisa

O simpósio reúne temas que atravessam qualquer bacia leiteira do país, da nutrição à sanidade, passando por gestão de propriedade, e qualquer avanço nessas áreas tende a circular entre técnicos e cooperativas que atendem produtores de Mato Grosso do Sul, onde a atividade leiteira convive com a pecuária de corte e a expansão da lavoura de grãos pelo espaço na propriedade rural.

Resultados como o da taxa de prenhez saltando de menos de 50% para mais de 70% tendem a repercutir entre técnicos e assistências veterinárias que atendem bacias leiteiras no Centro-Oeste, reforçando a checagem da qualidade da silagem como rotina, e não só como medida corretiva depois que o problema reprodutivo já apareceu no rebanho.