Boi gordo em alta: escala curta aquece pecuária em MS
Oferta restrita e frigoríficos disputando boiada seguram arroba em patamar elevado; entenda o que isso significa para o produtor sul-mato-grossense
Ave Calvar Martinez/Pexels
A arroba do boi gordo manteve a trajetória de alta nesta terça-feira (6), pressionada pela oferta curta de animais prontos para abate e pela correria dos frigoríficos atrás de boiada. Para o produtor de Mato Grosso do Sul, estado que vive do ciclo pecuário em praticamente todas as regiões, o momento é de margem mais larga: o gado que sai da fazenda está sendo mais disputado, e as escalas de abate seguem curtas o suficiente para manter a indústria pressionada a pagar mais.
Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, as programações de abate continuam concentradas entre cinco e sete dias úteis, prazo considerado apertado e que obriga os frigoríficos a manter postura ativa na compra. "As indústrias de maior porte também vêm elevando suas indicações, embora a dispersão entre os valores praticados continue significativa. Diante desse quadro, a perspectiva de curto prazo permanece favorável a novos reajustes da arroba", afirmou o analista, em levantamento divulgado pelo Canal Rural.
Carne sobe no atacado puxada pelo salário na praçaO mercado atacadista também reagiu nesta terça-feira, beneficiado pela recomposição de estoques no varejo justamente na semana em que o pagamento de salários movimenta o consumo. O quarto traseiro, corte mais nobre e referência de preço no setor, subiu R$ 0,50 e passou a ser negociado a R$ 28,50 o quilo. O quarto dianteiro ficou estável, a R$ 22,00, e a ponta de agulha seguiu cotada a R$ 20,50 por quilo.
Apesar da melhora pontual da demanda, Iglesias pondera que o espaço para novas altas ainda esbarra na concorrência de outras proteínas. "A principal limitação para novas altas permanece na menor competitividade da carne bovina em relação à carne de frango e aos cortes suínos, que continuam oferecendo alternativas mais acessíveis ao consumidor", explicou. Para o pecuarista de MS, isso significa que o ciclo de alta tende a ser sustentado pela oferta mais curta de gado, e não por um salto brusco de consumo interno.
Exportação perde volume, mas sobe no preço médioO comércio externo de carne bovina ajuda a explicar parte da pressão sobre o mercado interno. Em setembro, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 1,226 bilhão, com média diária de US$ 58,414 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume total embarcado chegou a 195,188 mil toneladas, média de 9,294 mil toneladas por dia útil.
Na comparação com setembro de 2025, o valor médio diário exportado caiu 30,6% e a quantidade média diária recuou 38%, mas o preço médio da tonelada avançou 11,9%, fechando em US$ 6.284,70. Menos boi embarcado, só que mais valorizado, é leitura direta para quem cria em Mato Grosso do Sul, um dos estados que mais abastece frigoríficos voltados à exportação: o produtor vende menos arrobas no mercado externo, mas cada uma delas rende mais.
O câmbio também entrou na conta do dia. O dólar comercial fechou em queda de 0,49%, cotado a R$ 4,9771 na venda e R$ 4,9751 na compra, após oscilar entre R$ 4,9451 e R$ 4,9861 ao longo do pregão. Moeda americana mais fraca tende a reduzir o ganho do exportador em reais, mas, com o preço médio da tonelada em alta, o efeito é parcialmente compensado para quem fatura em dólar.
Fontes: SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR (SECEX)