Incra corrige registros de 1998 e Itaquiraí ganha 23 novas famílias no Boa Sorte
Portaria publicada no Diário Oficial amplia assentamento no Cone Sul de MS em 75,7 hectares e eleva área total para 1.573,78 ha; entenda o que muda.
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Uma portaria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ampliou oficialmente a área do assentamento Boa Sorte, em Itaquiraí, município do Cone Sul de Mato Grosso do Sul situado a 405 quilômetros de Campo Grande. Com a publicação no Diário Oficial da União, o perímetro do assentamento passa de 1.498,03 hectares para 1.573,78 hectares — acréscimo de 75,7467 hectares — e a capacidade sobe de 50 para 73 famílias agrícolas. A mudança não cria um novo assentamento: ela corrige informações que constavam no documento original de 1998, quando o Boa Sorte foi criado a partir da Fazenda São Judas Tadeu.
Durante quase três décadas, o registro oficial subestimava tanto a extensão real da área quanto o número de famílias que ela comporta. A retificação vem após análise conduzida pela Superintendência Regional do Incra em Mato Grosso do Sul e pela Diretoria de Obtenção de Terras, com base em cartografia atualizada e em nota técnica produzida em 2026. O documento é assinado pelo presidente da autarquia, César Fernando Schiavon Aldrighi, e entrou em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial.
Quase 28 anos carregando números erradosO processo administrativo identificou divergências entre os dados cartográficos levantados pela Superintendência do Incra em MS e as informações registradas na portaria original. Não se trata de um caso isolado: erros de medição em assentamentos criados no final dos anos 1990 são relativamente comuns no Brasil, época em que o georreferenciamento por satélite ainda dava seus primeiros passos nas autarquias federais e os levantamentos de campo dependiam de instrumentação menos precisa. A nota técnica de 2026 consolidou as medições com ferramentas atuais e deu embasamento formal para a correção que o Boa Sorte esperava desde sua fundação.
A diferença de 75,7 hectares pode parecer modesta diante de uma área que já superava 1.400 hectares, mas seu peso jurídico e social é desproporcional ao número. São 23 famílias a mais que passam a ter respaldo legal para ocupar e trabalhar o assentamento dentro dos limites reconhecidos pelo governo federal — famílias que, na prática, já podiam estar na terra, mas sem a segurança documental que abre portas para crédito rural, assistência técnica e acesso a programas como o Pronaf.
O que a correção significa para o Cone SulItaquiraí integra uma faixa do Cone Sul sul-mato-grossense marcada pela presença histórica de pequenos produtores, pela agricultura familiar de base diversificada e pela proximidade com a fronteira paraguaia — contexto que torna a regularização fundiária não apenas uma questão burocrática, mas um instrumento concreto de cidadania. A região abriga dezenas de assentamentos federais e estaduais, muitos deles criados no mesmo período do Boa Sorte, durante os governos que ampliaram o programa de reforma agrária no Centro-Oeste e no Sul do país entre meados dos anos 1980 e o início dos anos 2000.
Para as famílias beneficiadas pela retificação, a regularização significa acesso a uma cadeia de políticas públicas que exige, como ponto de partida, o reconhecimento formal da parcela. Sem o número correto de lotes homologados, cooperativas de crédito, bancos públicos e órgãos de assistência técnica operam com restrições. Com a portaria publicada, o caminho para financiamentos agrícolas, habitação rural e registro no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar fica formalmente desobstruído para os novos vinte e três núcleos familiares reconhecidos.
A Superintendência Regional do Incra em MS deverá conduzir os próximos passos do processo, que incluem a atualização dos registros cartoriais do assentamento, a demarcação física dos lotes adicionais e a convocação das famílias para os trâmites de seleção e assentamento definitivo, conforme os procedimentos padrão da autarquia para situações de ampliação de capacidade.
Fontes: Incra; Diário Oficial da União; Capital News