HRMS passa a internar pacientes com dez leitos de cuidados paliativos

Hospital Regional de MS cria serviço com equipe própria para dor e doenças graves; metade dos internados já recebeu alta desde junho

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Divulgação/Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul
Divulgação/Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul

O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul passou a contar, neste ano de 2026, com um serviço próprio de cuidados paliativos e reservou dez leitos para internação de pacientes com doenças graves. Antes, o hospital já fazia avaliações pontuais por meio de pareceres médicos, mas nenhuma equipe ficava responsável pela internação desses casos. Agora, isso mudou.

A diferença apareceu na rotina de quem passou pelo serviço. A dona de casa Maria de Lourdes Souza, de 53 anos, trata um câncer desde 2023 e há três meses é acompanhada pela equipe. O filho dela, o motorista de aplicativo Jackson de Souza Ferreira, de 30 anos, conta que a notícia assustou a família no início. "No começo, ouvir a palavra paliativo foi assustador. A gente entrou em choque. Quando começou o tratamento, a gente entendeu que era um recomeço", diz.

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Cuidado que começa no diagnóstico, não no fim da vida

A médica Fabiana Moreno, paliativista responsável pelo serviço, afasta a ideia de que o cuidado paliativo serve apenas para quem está perto da morte. "O cuidado paliativo não é só para quem está morrendo. É para quem tem uma doença grave e tem ainda uma vida pela frente", afirma.

Segundo ela, o acompanhamento pode começar no próprio diagnóstico de doenças como insuficiência cardíaca, insuficiência renal, demência e câncer, funcionando lado a lado com o tratamento principal. "À medida que vai diminuindo a possibilidade de tratamento para a doença, aumenta a oferta de cuidados paliativos para o paciente", explica Fabiana. Para ela, o sofrimento tratado vai além do corpo: "Quando uma pessoa que a gente ama adoece, todo mundo adoece junto", diz, ao descrever o suporte psicológico e social dado também aos familiares.

Maria de Lourdes relata que a transferência para um leito paliativo trouxe medo no primeiro momento, logo substituído por alívio com o ajuste da medicação. "Sinto menos dor, os medicamentos mudaram e o cuidado dos médicos ajuda muito. Fiquei com medo, mas fui entendendo e vi que eles estão lutando com a gente", afirma a paciente.

Metade recebe alta e segue com atendimento em casa

Desde junho de 2026, metade dos pacientes atendidos pelo novo serviço recebeu alta hospitalar. Quem mora dentro da área coberta pelo Serviço de Atenção Domiciliar continua o acompanhamento em casa; quem está fora dessa área retorna ao hospital em atendimento ambulatorial.

A equipe reúne quatro médicas paliativistas e uma enfermeira, que trabalham junto com profissionais de cada setor do hospital, entre fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais, e também atende crianças. A criação do serviço acompanha a instalação, neste ano, do Núcleo Estadual de Cuidados Paliativos, ligado à Secretaria de Estado de Saúde, que coordena em Mato Grosso do Sul a aplicação da política nacional sobre o tema, definida pelo Ministério da Saúde em 2024.

A diretora-presidente da Fundação Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul, responsável pela gestão do hospital, Marielle Alves Corrêa Esgalha, resume a mudança como parte da missão da unidade. "Nossa missão é cuidar do paciente independentemente da fase da vida em que ele está (...) Mais do que uma meta, é um compromisso com o cuidado do nosso paciente", diz.

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Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO DO SUL; FUNDAÇÃO SERVIÇOS DE SAÚDE DE MATO GROSSO DO SUL


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