Frete agrícola em MS tem variação mista em agosto, diz Conab
Boletim da Conab mostra tarifas entre queda e estabilidade no estado, enquanto exportação de soja no país cresce 7% no ano
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O transporte de grãos por caminhão em Mato Grosso do Sul oscilou entre retração e estabilidade em agosto, segundo o Boletim Logístico divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026. O movimento acompanha um padrão parecido ao observado em Mato Grosso, onde a demanda por milho destinado à ração animal e à produção de combustíveis segurou os preços do frete mesmo em meio a quedas pontuais nas rotas.
O boletim da Conab é referência mensal para quem depende do transporte rodoviário de grãos, um custo que pesa direto no bolso de produtores e cooperativas do Centro-Oeste. Em agosto, o cenário nacional mostrou o país exportando mais soja e menos milho do que no ano passado, um descompasso que ajuda a explicar por que cada estado reagiu de um jeito diferente na hora de precificar o frete.
Exportação de soja puxa demanda por caminhõesDe janeiro a agosto de 2026, o Brasil embarcou 92,7 milhões de toneladas de soja, alta de 7% sobre o mesmo período de 2025, conforme os dados da Conab. Esse ritmo mais forte de vendas externas aqueceu corredores logísticos em vários estados produtores e ajuda a sustentar fretes em patamar superior ao do ano passado, mesmo nas regiões onde os valores caíram no mês.
Já o milho seguiu na direção oposta: os embarques somaram 14,5 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, queda de 7,9% ante 2025. A valorização do cereal no mercado interno e externo tem incentivado mais uso doméstico do grão, o que reduz o volume disponível para exportação e altera o fluxo de caminhões nas rotas que ligam lavouras a portos e indústrias.
Vizinhos de MS puxam o frete para cimaEnquanto Mato Grosso do Sul manteve tarifas estáveis ou em leve queda, Goiás registrou alta de até 22,9% em parte das rotas, movida pelo transporte interno de sorgo com destino a Minas Gerais, mais intenso no fim de agosto. A demanda de fábricas de ração favoreceu trajetos curtos e médios no estado vizinho, um sinal de que a competição por caminhões na região Centro-Oeste segue aquecida mesmo quando os preços em MS não sobem.
No Distrito Federal, todas as rotas acompanhadas pela Conab tiveram queda mensal, embora os valores ainda estejam acima dos praticados um ano atrás. Em Minas Gerais, a colheita do café elevou os fretes em até 36,2%, com concentração de cargas no sul do estado, enquanto na Bahia as variações foram positivas em quase todas as rotas, com alta de até 4,8%.
No transporte marítimo, o Arco Norte concentrou 38,85% das exportações de soja e 48,98% das de milho entre janeiro e agosto, à frente do Porto de Santos. As importações de fertilizantes somaram 25,38 milhões de toneladas no período, queda de 13,7% em relação a 2025, um dado que interessa diretamente ao produtor sul-mato-grossense na hora de planejar os custos da próxima safra.
Fontes: COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB)