Uma frente fria que se formou a partir de um ciclone extratropical no Sul do país começa a mudar o tempo em Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, com chuva ganhando força ainda hoje e se espalhando por uma área maior do estado na quinta-feira, segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus.
O calor que tem marcado os últimos dias perde força junto com a chegada do ar mais frio, mas o alívio na temperatura vem acompanhado de um detalhe que exige atenção redobrada: o contraste entre o ar quente acumulado e a massa fria que avança cria condição para temporais isolados, com risco de alagamento, rajadas de vento e queda de granizo em pontos do estado.
"À medida que a chuva for avançando, ela sai do Rio Grande do Sul, alivia aí para os gaúchos, e vem para cima do Sudeste e do Centro-Oeste. E aí, quando isso acontecer, a temperatura dá uma aliviada", explicou Nascimento. Mato Grosso do Sul entra nessa rota antes de São Paulo, Minas Gerais e do Distrito Federal: a instabilidade atinge o estado já nesta quarta-feira, para só na sexta-feira chegar à região de Brasília.
O meteorologista reforça que o episódio de frio deve ser passageiro, sem repetir a onda de frio mais intensa registrada nas semanas anteriores. "Vai ser mais curto o frio. Então, a gente vai ficar com temperaturas mais amenas. Não vai fazer aquele frio, mas também esse calorão vai passar", disse.
A combinação de calor acumulado com o avanço do ar frio favorece a formação de nuvens carregadas, e Nascimento não descarta pancadas mais fortes em pontos isolados do trajeto da frente fria. "Pontualmente a gente pode ter, sim, chuvas fortes, pode ter alagamento, pode ter pontualmente ventania, granizo", afirmou.
Não há, porém, expectativa de volumes tão extremos quanto os observados recentemente na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. A mudança de tempo também marca a virada para outubro, mês em que as chuvas tendem a se espalhar por uma área maior do país: a previsão para os próximos 15 dias aponta avanço das precipitações também por São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, além da continuidade em Mato Grosso do Sul.
Para quem mora em áreas mais suscetíveis a alagamento na Capital ou no interior, a orientação é acompanhar a evolução do tempo hora a hora nos próximos dias, já que sistemas como este tendem a se intensificar de forma rápida e localizada. Veja como uma frente fria recente já havia alterado o tempo em MS antes de um ciclone atingir o Sul e como, em setembro, outro sistema chegou ao estado com rajadas de até 100 km/h e granizo.