Fogo entre Nova Alvorada e Rio Brilhante ameaça soja recém-plantada em MS
Estado soma 2.540 incêndios em vegetação desde janeiro; chamas destruíram palhada e avançaram perto de lavouras na Região Centro-Sul
Alexandre P. Junior/Pexels
Um incêndio tomou conta de uma propriedade rural entre Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante nesta semana, queimou áreas de cana-de-açúcar e chegou perto de lavouras de soja recém-plantadas. O vento forte dificultou o combate e obrigou trabalhadores a molhar a terra ao redor da fazenda na tentativa de conter o avanço das chamas.
O caso expõe um problema que se repete em Mato Grosso do Sul neste período de estiagem: o Estado já registrou 2.540 ocorrências de incêndio em vegetação entre 1º de janeiro e 29 de setembro de 2026, conforme levantamento do Corpo de Bombeiros Militar. O volume de chamas neste momento do ano coincide com a fase de preparo do solo e plantio da soja, justamente quando a proteção da palhada se torna mais importante para o produtor.
Vento forte e falta de opções no combate ao fogoRenato Ferreira, gerente da propriedade atingida entre Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante, contou que a brigada da usina precisou de reforço de funcionários de fazendas vizinhas para tentar segurar o fogo. "Estava ventando muito, então a gente não tem muita coisa o que fazer. O que deu para a gente fazer foi molhar em volta da fazenda, molhar a palhada e tentar socorrer na hora que acalmasse o fogo", relatou.
As equipes de combate aos incêndios no Estado somam 940 militares, concentrados principalmente na região do Pantanal. Quando o fogo ganha proporção maior, como ocorreu nesta semana na região de Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante, o combate passa a contar também com brigadas de usinas, caminhões-pipa, máquinas agrícolas e aeronaves. Incêndios em Maracaju, na mesma semana, exigiram o uso de duas aeronaves e não deixaram danos a maquinários, mas destruíram parte da vegetação e da palhada da região.
Prejuízo que não aparece na hora, mas pesa na safraPara o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o estrago maior de um incêndio em área agrícola não é a lavoura queimada, e sim a palhada perdida, resultado de anos de manejo do solo. "A palhada é extremamente importante para o produtor. Ela não está ali por acaso. Existe todo um trabalho de manejo, investimento e tempo para construir essa cobertura e melhorar a condição do solo. Quando um incêndio passa por uma área, esse trabalho de anos pode ser perdido em poucas horas", afirmou.
A camada de palha protege o solo do sol e da chuva, ajuda a manter a umidade e contribui para a reciclagem de nutrientes, elementos que sustentam a produtividade de safras futuras. "É um investimento de anos que foi jogado fora em pouco tempo. E estamos falando de duas coisas que o produtor não tem: dinheiro e tempo. Por isso, além de combater o incêndio quando ele acontece, precisamos trabalhar cada vez mais na prevenção", reforçou Balta. Com o plantio de soja avançando pelo Estado, produtores da região de Nova Alvorada do Sul, Rio Brilhante e Maracaju seguem em alerta para o risco de novas frentes de fogo enquanto durar o período seco.
Fontes: CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE MS