Estudantes da UFMS geram renda para quilombolas em Campo Grande

Time Enactus da UFMS já fez nove projetos desde 2022; grupo apoia mulheres da Chácara do Buriti e comunidades ribeirinhas com produção de pães e artesanato

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Divulgação/UFMS

Um grupo de estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, transformou um movimento estudantil criado em maio de 2022 em uma rede de projetos que já passou por comunidades quilombolas, ribeirinhas e grupos de mulheres da capital. Ao todo, o Time Enactus da UFMS soma cerca de nove projetos desenvolvidos nesses quatro anos, parte deles encerrados e parte ainda ativa, sempre com o mesmo objetivo: gerar renda sem depender de doação.

O time nasceu de uma conversa na Recepção de Calouros de 2021, quando uma fala da então presidente da Enactus Brasil, Joana Rudiger, despertou em estudantes da UFMS o interesse de criar o movimento também em Campo Grande. O professor Geraldino Carneiro de Araujo organizou os primeiros encontros, reuniu os interessados e ajudou a estruturar o que viraria, meses depois, a equipe oficial.

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Da Chácara do Buriti às Fiandeiras

Um dos projetos em curso, batizado de Zuri, atua na comunidade quilombola Chácara do Buriti, em Campo Grande. A iniciativa une conhecimento técnico dos estudantes a saberes tradicionais das mulheres da comunidade, que já produzem pães e outros alimentos. A ideia agora é agregar valor a essa produção usando ingredientes do próprio território, para que a renda cresça sem que as mulheres percam a identidade do que fazem.

Outra frente, o projeto Fiandeiras, trabalha com comunidades ribeirinhas e foi onde a estudante de Engenharia Ambiental Isabela Pires Mendonça assumiu sua primeira liderança antes de chegar à presidência do time. Ela recorda um momento que resume o peso do trabalho: durante uma visita, uma participante do projeto a abraçou e agradeceu pelo que a equipe havia construído. "Pode parecer um gesto simples, mas foi algo que me marcou profundamente, porque naquele abraço eu consegui enxergar o verdadeiro significado de tudo aquilo que estávamos construindo", conta Isabela.

Protagonismo dos estudantes guia os projetos

Isabela entrou no time ainda caloura, atraída por uma abordagem no corredor central da universidade e pela possibilidade de somar horas complementares. Quatro anos depois, diz que o que a mantém ali mudou de figura. "Entrei inicialmente pensando nas horas complementares e, hoje, quase quatro anos depois, continuo aqui por algo muito maior: o propósito", afirma.

Para o professor Geraldino, o maior resultado do time não está só nas comunidades atendidas, mas na forma como os próprios estudantes passaram a conduzir o trabalho. "Uma grande transformação é o protagonismo dos estudantes: são eles que tomam à frente das reuniões, da comunicação externa e das atividades desenvolvidas", destaca o conselheiro do grupo. Cada projeto tem equipe e liderança próprias, e as propostas, vindas de professores ou estudantes, só avançam depois de validadas junto às comunidades e alinhadas às diretrizes da Enactus Brasil.

Isabela resume a lição que diz ter aprendido ao assumir a presidência depois de passar pela Diretoria de Projetos: "Uma das maiores lições que tive foi entender que liderar não significa saber tudo ou fazer tudo sozinha. Liderar também é saber ouvir, confiar nas pessoas, reconhecer suas dificuldades e compreender que cada pessoa tem seu próprio tempo de desenvolvimento".

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Fontes: UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL (UFMS)