Eleições colocam juros, câmbio e crédito rural no radar do agronegócio
Endividamento, custos de produção, seguro e infraestrutura estão entre os temas que preocupam o setor às vésperas do primeiro turno
A proximidade do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para este domingo (4), aumenta a atenção do agronegócio sobre os rumos da economia brasileira. Para o setor, o resultado das urnas terá reflexos que vão além da escolha de representantes políticos, já que decisões relacionadas a juros, câmbio, crédito rural, seguro e política fiscal podem interferir diretamente nos custos e nas condições para investir e produzir nos próximos anos.
Entre as principais preocupações está o custo do dinheiro. O setor rural enfrenta um cenário de endividamento, aumento da inadimplência, perda de rentabilidade e dificuldades para renegociar dívidas, enquanto taxas de juros elevadas encarecem novos financiamentos. Nesse ambiente, as condições de acesso ao crédito ganham importância para produtores que precisam financiar o plantio, investir em máquinas ou ampliar suas atividades.
O câmbio é outra variável acompanhada de perto pelo campo. As oscilações do dólar afetam tanto as receitas das atividades vinculadas ao comércio exterior quanto os custos de insumos importados utilizados na produção. No crédito e no seguro rural, a avaliação apresentada pelo Canal Rural é de que a qualidade das políticas e as condições efetivamente oferecidas ao produtor podem ser mais relevantes do que apenas o valor nominal disponibilizado em programas de financiamento.
A infraestrutura para escoamento da produção também aparece entre os temas considerados estratégicos para o futuro do agronegócio. Estradas, ferrovias e outras estruturas logísticas interferem nos custos para transportar a produção até os centros consumidores e os corredores de exportação. Para estados produtores como Mato Grosso do Sul, essas questões ganham importância diante da necessidade de melhorar a competitividade e acompanhar a expansão das atividades agropecuárias.
Além da disputa pelos cargos do Executivo, o setor acompanha a composição que sairá das urnas para o Congresso Nacional, já que deputados e senadores terão participação direta na discussão e aprovação de medidas que afetam o campo. Com o primeiro turno neste domingo e eventual segundo turno previsto para 25 de outubro, produtores e entidades do agronegócio chegam à eleição atentos principalmente às propostas capazes de influenciar custos, disponibilidade de crédito, infraestrutura e segurança para novos investimentos.