Povos indígenas de MS criam cooperativa para negociar produção diretamente
Coopims reúne diferentes comunidades e pretende ampliar acesso a mercados, crédito e compras públicas, além de reduzir a dependência de intermediários
Povos indígenas de Mato Grosso do Sul estão se organizando para ampliar a autonomia na produção e na comercialização de seus produtos. A Cooperativa Estadual dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul (Coopims) foi fundada em 24 de setembro, em Campo Grande, com a proposta de permitir que produtores negociem coletivamente preços e compradores, reduzindo a dependência de intermediários. A atuação prevista envolve agricultura, pecuária e outras atividades econômicas desenvolvidas pelas comunidades.
A criação da cooperativa reuniu 37 lideranças indígenas, entre representantes dos povos Terena, Kadiwéu e Guarani-Kaiowá. O grupo fundador representa sete municípios, seis terras indígenas e 15 aldeias e comunidades de diferentes regiões do Estado. Mato Grosso do Sul tem 116.346 indígenas, segundo o Censo 2022 citado nas publicações sobre a iniciativa, e possui a terceira maior população indígena entre os estados brasileiros.
Na produção rural, a proposta prevê compra conjunta de insumos, compartilhamento de máquinas e organização coletiva da comercialização. A cooperativa também busca facilitar o acesso dos produtores a mercados privados, linhas de financiamento e programas públicos de compra. Antes do início das atividades, estão previstas capacitações em gestão e produção agropecuária para os cooperados.
Além da produção agropecuária, a Coopims pretende atuar em áreas como artesanato, turismo de base comunitária e etnoturismo, preservando a autonomia de cada comunidade para decidir o que poderá ser apresentado ou comercializado. A proposta também inclui mecanismos para proteger sementes nativas, plantas, conhecimentos tradicionais, imagens e expressões culturais. A administração seguirá o princípio de um voto para cada cooperado, independentemente da etnia, comunidade ou volume de produção.
A cooperativa ainda passa pelo processo de formalização. Após a assembleia de fundação, que aprovou o estatuto e o regimento interno, foram previstas etapas de registro junto à Junta Comercial do Estado de Mato Grosso do Sul (Jucems) e obtenção de CNPJ. Os projetos deverão ser definidos de acordo com as necessidades das comunidades e passar pela aprovação dos cooperados antes da busca por parcerias e financiamentos. A expectativa é criar uma estrutura econômica administrada pelos próprios povos indígenas, fortalecendo sua capacidade de negociação e geração de renda sem abrir mão das particularidades culturais de cada comunidade.