El Niño pode causar até 13,3 mil mortes por calor no Brasil
Estudo da Universidade de Chicago projeta impacto do fenômeno entre 2026 e 2027; Norte e Nordeste concentram os maiores riscos, mas calor extremo também preocupa MS
Arte/MSConecta
Um relatório do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, projeta que o Brasil pode registrar 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, período que coincide com o atual episódio de El Niño. O país entra na lista dos cinco lugares do mundo com maior número estimado de óbitos provocados pelo fenômeno, segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026.
O estudo chega em um momento em que Mato Grosso do Sul já convive, ano após ano, com sequências de dias acima dos 40°C no verão — quadro que tende a se repetir com mais intensidade caso as projeções climáticas se confirmem. Segundo os pesquisadores, as temperaturas médias sobre áreas continentais devem ficar 1,2°C acima do normal nos próximos meses, com aumento de cerca de 44% nos dias de calor extremo — um cenário que os cientistas chamam de "cartão-postal do futuro", antecipando condições que só seriam comuns daqui a duas décadas.
Norte e Nordeste concentram as piores projeções, mas alerta vale para todo o paísDe acordo com o relatório, o verão de 2026 para 2027 — entre dezembro e fevereiro — deve ser o período de maior risco no Brasil. As estimativas mais altas aparecem no Pará, com cerca de 2,3 mil mortes adicionais, seguido pelo Maranhão, com 1,3 mil, e por Amazonas e Bahia, cada um com aproximadamente 1,2 mil óbitos a mais do que em um ano climático considerado normal.
Embora o estudo não traga um número fechado para Mato Grosso do Sul, os pesquisadores explicam que regiões com temperaturas historicamente elevadas e menor capacidade de adaptação da população tendem a sofrer impacto proporcionalmente maior diante de novos episódios de calor extremo — um alerta direto para municípios do Pantanal e do interior sul-mato-grossense, onde recordes de temperatura já vinham sendo registrados mesmo antes deste novo ciclo de El Niño.
Fenômeno pode alterar chuvas e agravar secas e queimadasO relatório destaca que o calor extremo não deve ser lido de forma isolada: o El Niño também tende a modificar padrões de chuva, favorecendo secas, incêndios florestais e inundações em diferentes regiões — combinação que preocupa especialmente áreas de vegetação nativa como o Pantanal, historicamente sensível a períodos de estiagem prolongada e à proliferação de queimadas.
No cenário global, o Climate Impact Lab estima 451 mil mortes adicionais por calor extremo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, com 239 mil óbitos projetados apenas entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. A região do Sahel, na África, lidera as estimativas mundiais, com 66,8 mil mortes adicionais — quase metade concentrada na Nigéria. Para calcular os números, os cientistas cruzaram dados de mortalidade e temperatura de 24.378 regiões do mundo com projeções climáticas e indicadores de vulnerabilidade local, método que, segundo os autores, pode ser revisado à medida que o fenômeno evoluir.
Fontes: CLIMATE IMPACT LAB, UNIVERSIDADE DE CHICAGO; NOTÍCIAS AGRÍCOLAS