Ecoturismo movimenta até R$ 2 bilhões por ano e amplia força de MS no turismo nacional

Bonito deixa de ser atração isolada e passa a integrar roteiro que combina Serra da Bodoquena e Pantanal

Por

Mato Grosso do Sul ganha cada vez mais espaço no mapa do turismo de natureza brasileiro ao transformar seus diferentes destinos em uma experiência integrada. Bonito continua sendo uma das principais portas de entrada, mas a oferta já ultrapassa as famosas águas cristalinas e inclui atrativos em Jardim, Bodoquena, Miranda e no Pantanal. Reportagem publicada pelo Correio Braziliense neste domingo (27) destaca justamente essa transformação e apresenta o Estado como opção para quem procura natureza, aventura e experiências ligadas à conservação ambiental. 

O impacto também aparece na economia. Segundo levantamento Ecoar de 2024 citado pela publicação, realizado por Sebrae, Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), Embratur e Ministério do Turismo, a cadeia turística sul-mato-grossense movimenta entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões em faturamento direto por ano. O ecoturismo responderia por aproximadamente 70% desse volume, mostrando o peso da natureza não apenas na divulgação do Estado, mas também na geração de negócios e empregos. 

A expansão desse mercado pode ser vista nos próprios destinos. Na região de Bonito, o roteiro passa pela Gruta do Lago Azul, Abismo Anhumas e Estância Mimosa. Em Jardim, estão o Buraco das Araras e o Recanto Ecológico Rio da Prata. Seguindo em direção ao Pantanal, Miranda e a região de Passo do Lontra oferecem experiências ligadas aos rios, fauna, cavalgadas e à cultura pantaneira. A Estância Mimosa, por exemplo, emprega atualmente 22 pessoas diretamente com o ecoturismo, segundo seu gestor, contra uma estimativa de sete trabalhadores caso a propriedade permanecesse dedicada à pecuária tradicional. 

O modelo depende, porém, da conservação dos recursos naturais que sustentam a atividade. Os atrativos trabalham com controle do número de visitantes, horários definidos e acompanhamento de guias, enquanto empreendimentos investem em tratamento de resíduos e energia renovável. Essa combinação entre preservação e atividade econômica vem se tornando uma das marcas de Mato Grosso do Sul. No primeiro semestre de 2026, o Estado também intensificou sua promoção em mercados nacionais e internacionais, com Bonito, Serra da Bodoquena e Pantanal entre os destinos utilizados para apresentar o potencial do turismo de natureza sul-mato-grossense. 

Outro fator estratégico é a conectividade aérea. A reportagem destaca os voos entre Guarulhos e Bonito e informa que, a partir de 30 de outubro, a Latam deverá acrescentar os domingos à operação que atualmente ocorre às quartas-feiras e aos sábados. A ampliação facilita a montagem de roteiros que começam em Bonito e avançam pelo sudoeste do Estado até o Pantanal, estimulando uma permanência maior do visitante e distribuindo os benefícios econômicos do turismo por diferentes municípios. 

Além dos rios, cavernas e animais silvestres, Mato Grosso do Sul começa a vender uma experiência mais abrangente. Gastronomia regional, cultura pantaneira, observação de aves, pesca esportiva, cavalgadas, flutuações e turismo de aventura compõem um produto que conecta diferentes regiões. É essa diversidade que permite ao Estado avançar de uma imagem concentrada em Bonito para a construção de um circuito de ecoturismo entre a Serra da Bodoquena e o Pantanal, capaz de transformar conservação ambiental em emprego, renda e projeção nacional para Mato Grosso do Sul. 

Fonte: Correio Braziliense