Dourados vê casos de chikungunya despencar de 675 para 9 por semana

Boletim da Prefeitura de Dourados mostra queda de 98% nas confirmações desde o auge da epidemia; cidade ainda está em emergência sanitária

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Divulgação/PREFEITURA DE DOURADOS

A Prefeitura de Dourados registrou apenas 9 casos confirmados de chikungunya na Semana Epidemiológica 39, entre 4 e 10 de outubro de 2026, segundo boletim do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE). O número é uma fração do pico da epidemia, quando o município chegou a confirmar 675 casos em uma única semana, na 12ª Semana Epidemiológica do ano.

Mesmo com a curva em queda acentuada, Dourados segue formalmente em situação de emergência em saúde pública. O COE foi criado justamente para coordenar o combate ao mosquito Aedes aegypti tanto no perímetro urbano quanto na Reserva Indígena, área que concentrou boa parte das mortes registradas na cidade.

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Números acumulados desde o início da epidemia

O boletim da 39ª Semana Epidemiológica contabiliza 10.738 notificações de casos suspeitos desde o início do surto em Dourados. Desse total, 5.412 foram descartados, 5.267 confirmados e 59 ainda aguardam classificação. A taxa de positividade dos exames caiu para 49,32%, mas a taxa de ataque, que mede a proporção da população infectada, está em 2,02%, sinal de que o vírus continua circulando na cidade.

Nas últimas dez semanas epidemiológicas, Dourados somou 461 notificações com 115 confirmações da doença. É um recuo expressivo frente aos meses mais críticos, mas o próprio secretário de Saúde do município, Márcio Figueiredo, que comanda o COE, evita falar em vitória. "Não podemos baixar a guarda para o mosquito Aedes aegypti porque ele é traiçoeiro e quando menos se espera está de volta trazendo agravamentos de casos e superlotação da rede hospitalar", afirma.

Reserva Indígena concentra mortes, mas tem epidemia sob controle

Desde o início do surto, Dourados contabilizou 19 mortes por complicações da chikungunya, das quais 11 foram de moradores indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru. A situação nas aldeias, porém, mudou de patamar: nas últimas dez semanas epidemiológicas, foram apenas 18 notificações e 2 confirmações na Reserva Indígena, que no acumulado geral já registrou 3.203 notificações, 2.317 casos confirmados e 882 descartados.

A Prefeitura de Dourados atribui essa redução ao trabalho conjunto com a Secretaria Especial de Saúde Indígena e o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) em Mato Grosso do Sul, que reforçou visitas e ações de combate ao mosquito dentro das aldeias. O mesmo esforço vem sendo aplicado nos bairros da zona urbana que mais concentraram infecções durante a epidemia, caso do Jóquei Clube, que já havia motivado mutirões específicos de limpeza.

Chuvas de outubro reacendem alerta para novos focos

Figueiredo lembra que o período chuvoso que chega a Dourados em outubro favorece o acúmulo de água parada, principal criadouro do Aedes aegypti. "O tempo chuvoso é favorável para o surgimento de novos focos do mosquito e a população precisa seguir firme na missão de acabar com os pontos de água parada", diz o secretário.

Agentes de combate a endemias seguem fazendo visitas domiciliares em todos os bairros do município, com poder de aplicar multas e notificações a quem mantém recipientes com água parada em imóveis particulares. A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é manter quintais limpos e evitar descarte irregular de lixo que possa virar criadouro, mesmo com os números em queda.

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Fontes: PREFEITURA DE DOURADOS; MINISTÉRIO DA SAÚDE (SINAN)