Dia das Crianças deve movimentar R$ 491 milhões em MS
Pesquisa do Sebrae/MS aponta alta de 33% nas vendas da data em Mato Grosso do Sul, com brinquedos liderando a preferência dos consumidores
Divulgação/Sebrae/MS
O comércio de Mato Grosso do Sul deve faturar R$ 491,29 milhões com o Dia das Crianças neste ano, um salto de 33% em relação a 2025, segundo levantamento do Sebrae/MS em parceria com a Fecomércio/MS. O gasto médio projetado por consumidor é de R$ 568,90, e os brinquedos seguem disparados na preferência de compra, escolhidos por 72% dos entrevistados.
Por trás desse número está uma mudança de comportamento que pequenos empreendedores sul-mato-grossenses já perceberam na prática: famílias cada vez mais interessadas em trocar telas por brincadeiras que estimulam movimento, criatividade e convívio entre crianças. Esse movimento, batizado por especialistas como resgate do lúdico, virou terreno fértil para negócios locais que apostam em recreação, artesanato e produtos educativos.
De Campo Grande a Jardim, negócios nascidos da observação infantilEm Campo Grande, o educador físico André Luis Pinheiro transformou a observação sobre o comportamento das crianças em empresa. À frente da Tio André Atividades Infantis, ele começou oferecendo recreação em festas e aulas de desenvolvimento motor, e viu a procura disparar no período pós-pandemia. "Crescemos bastante no final da pandemia, porque as crianças tinham passado muito tempo dentro de casa, com pouca atividade física e muito estímulo vindo das telas. Então começou a aumentar bastante a busca por atividades dentro das casas, condomínios e eventos", conta André.
Para o empreendedor, a tecnologia não é vilã, mas precisa dividir espaço com outras formas de aprendizado. "A criança precisa se movimentar, brincar, experimentar, criar, conviver com outras crianças e conhecer o mundo também fora de uma tela", afirma. Já em Jardim, no interior do estado, o artesão Hebert Garcia seguiu caminho parecido, mas com matéria-prima diferente: madeira reaproveitada. Criador da Brinquedos Pé de Serra, ele começou a trabalhar com caixotes de madeira durante a pandemia, como forma de distração, até transformar o hobby em negócio com a chegada de uma feira local.
Brinquedo também ensina, e isso vira estratégia de vendaHebert usa a cultura pantaneira como inspiração para seus produtos e aproveita cada peça para falar de sustentabilidade com as famílias que compram. "Nossa linha de atuação envolve no ensinamento da preservação ambiental, demonstrando para as crianças e seus pais que nossas madeiras são frutos de reaproveitamento, que as cores são naturais, e nossa flora é rica em texturas, cores e cheiros, isso desperta um senso de curiosidade nas crianças", explica o artesão.
Para o analista-técnico do Sebrae/MS, Carlos Henrique, esse apelo emocional por trás do brinquedo lúdico precisa virar planejamento comercial, e não apenas discurso. "A questão dos brinquedos lúdicos faz o resgate ao essencial, ao relacionamento e a família, e o empresário precisa entender essa estratégia. É importante um planejamento de marketing voltado ao storytelling, para que ele possa contar uma história desse produto e cativar o cliente, para que ele não perca essa venda e venda muito mais", orienta. A pesquisa do Sebrae/MS mostra ainda que a palavra final sobre o presente costuma ser da própria criança, responsável pela escolha em 53,94% dos casos, enquanto filhos são o alvo principal dos presentes (48,54%), seguidos por sobrinhos (27,13%) e netos (23,06%).
Calçados, tênis e chuteiras aparecem na segunda posição da lista de desejos, com 17% das intenções de compra, bem atrás dos brinquedos. Quem quiser orientação para se preparar comercialmente para a data pode buscar o Sebrae/MS pelo telefone 0800 570 0800 ou pelo site ms.sebrae.com.br.
Fontes: SEBRAE/MS