Corumbá completa 248 anos e celebra trajetória que ajudou a construir a história de MS
Fundada às margens do Rio Paraguai, Cidade Branca atravessou guerras e ciclos econômicos e mantém papel estratégico no Pantanal
Corumbá completa 248 anos nesta segunda-feira (21) como uma das cidades mais antigas e historicamente importantes de Mato Grosso do Sul. Fundado em 21 de setembro de 1778, o núcleo que deu origem ao município surgiu às margens do Rio Paraguai, em uma área estratégica para a ocupação portuguesa e a defesa da fronteira diante do avanço espanhol. A posição geográfica que determinou seu nascimento também transformaria a cidade, décadas depois, em importante centro de comércio e navegação.
Inicialmente chamado de Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, o povoado cresceu acompanhando a circulação pelo Rio Paraguai. Corumbá tornou-se importante entreposto comercial e ponto de ligação entre o interior do antigo Mato Grosso e os países da Bacia do Prata. Durante a Guerra do Paraguai, a cidade foi ocupada por tropas paraguaias em 1865 e retomada em 1867. Depois do conflito, iniciou um processo de reconstrução que abriu caminho para um novo período de prosperidade.
O movimento de embarcações, comerciantes e imigrantes deixou marcas que permanecem na arquitetura corumbaense. O conjunto histórico, arquitetônico e paisagístico de Corumbá foi tombado pelo Iphan em 1993 e reúne 119 edificações no perímetro protegido, além de cerca de três mil imóveis na área de entorno. Outro símbolo da importância estratégica da região é o Forte de Coimbra, cujo núcleo original foi construído em 1775 para auxiliar na defesa e demarcação do território.
Conhecida como Cidade Branca e Capital do Pantanal, Corumbá preservou a ligação com o rio e incorporou novas atividades econômicas ao longo do tempo. Atualmente, o município possui 64,4 mil quilômetros quadrados de território e população estimada pelo IBGE em 96.334 habitantes em 2026. A dimensão territorial, a localização no Pantanal e a proximidade com a Bolívia mantêm a cidade como um dos principais pontos de referência da fronteira oeste de Mato Grosso do Sul.
A mineração também mantém Corumbá em posição de destaque na economia estadual. A região concentra grandes depósitos de ferro e manganês. Dados divulgados pela Semadesc mostram que Corumbá liderou a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais em Mato Grosso do Sul referente a 2024, com aproximadamente R$ 46,2 milhões em CFEM. Ferro e manganês extraídos na região têm participação relevante nas exportações do Estado.
O Rio Paraguai, fundamental para o desenvolvimento da cidade no passado, também está no centro dos projetos logísticos do presente. A hidrovia transporta minérios, produtos agrícolas e outras cargas e integra o Centro-Oeste aos países da Bacia do Prata. Em 2026, o trecho entre Corumbá e Porto Murtinho entrou na agenda federal de concessão hidroviária, com previsão de aproximadamente R$ 50 milhões em investimentos.
A posição internacional ganhou ainda mais relevância com as discussões entre Brasil e Bolívia para melhorar a navegabilidade do Canal do Tamengo, conectado ao Rio Paraguai na região de Corumbá. A estrutura é estratégica para o escoamento de cargas bolivianas e reforça o papel da fronteira oeste sul-mato-grossense na integração econômica sul-americana.
Aos 248 anos, Corumbá reúne diferentes capítulos da formação de Mato Grosso do Sul. A cidade que nasceu para proteger a fronteira, cresceu com o comércio fluvial e atravessou uma guerra chega ao presente como referência do Pantanal, da cultura, do turismo, da mineração e da integração internacional. Entre o casario histórico e o movimento das embarcações no Rio Paraguai, Corumbá preserva o passado enquanto continua estratégica para o futuro de Mato Grosso do Sul.