Corumbá completa 248 anos com campanha que exalta quem faz a cidade

Da salsaparrilha ao primeiro curso de Psicologia do oeste brasileiro: sete moradores contam como construíram suas histórias junto com a cidade pantaneira.

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Corumbá completa 248 anos nesta segunda-feira (21 de setembro) e a Prefeitura escolheu marcar a data de um jeito diferente: em vez de apenas desfiles e solenidades, a campanha "Nossa Cidade, Nossas Raízes" coloca em evidência sete moradores que ajudaram a construir o cotidiano da cidade pantaneira — cada um à sua maneira, em áreas que vão do artesanato à educação, da costura à produção agrícola em comunidade quilombola.

A iniciativa, organizada pela Fundação da Cultura de Corumbá, parte de um princípio simples: quem melhor conta a história de uma cidade são as pessoas comuns que vivem nela há décadas. Os vídeos com os depoimentos já estão disponíveis no canal do YouTube e no Instagram da Fundação da Cultura.

Cinquenta anos de história em uma cidade que cresceu junto

Um dos destaques da campanha é Wilson Melo, que chegou a Corumbá há exatamente 50 anos e participou da implantação do primeiro curso de Psicologia do oeste brasileiro — marco que colocou a cidade no mapa da educação superior da região. Ao lado dele, Lígia Baruki, que recebeu o título de cidadã corumbaense e está no magistério desde os 16 anos, representa décadas de sala de aula na cidade.

Outros personagens carregam histórias igualmente enraizadas: Angelino Ferreira trabalha com salsaparrilha — planta nativa do Pantanal — desde antes de 1980, quando começou por necessidade e transformou o ofício em identidade. Maria José está há 27 anos na Casa do Artesão e se define como uma pessoa do Carnaval. Neura, que chegou à cidade grávida há cerca de 20 anos, faz costura há quase 18 anos e vê a demanda crescer toda vez que o Carnaval se aproxima.

Da roça quilombola ao Grand Hotel: trajetórias que atravessam a cidade

Jorge Rodrigues da Silva começou vendendo verduras nas ruas e hoje cultiva alimentos em uma comunidade quilombola, usando a própria experiência para ensinar filhos, moradores e estudantes sobre as possibilidades de plantio na região. Já Ivanilde Lima Rodrigues aprendeu a trabalhar em eventos se oferecendo para ajudar em grandes festas — percurso que a levou a atuar em espaços como o histórico Grand Hotel de Corumbá.

Jones da Conceição Pereira fecha o grupo: mecânico e professor, acumulou passagens pelo Senai e pelas redes estadual e municipal de ensino, cruzando o mundo técnico com o da educação pública.

Juntos, os sete mostram que a história de Corumbá não está só nos livros ou nos monumentos — ela caminha pelas ruas, trabalha nas oficinas, costura fantasias e planta na beira do rio. Para o aniversário de 248 anos, a cidade optou por se reconhecer em quem ficou.

Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ; FUNDAÇÃO DA CULTURA DE CORUMBÁ