Comércio entre Brasil e China bate recorde de US$ 143 bilhões em 2026
Petróleo impulsiona exportações brasileiras, enquanto carne bovina enfrenta novas barreiras no mercado chinês
O comércio bilateral entre Brasil e China alcançou um recorde histórico nos primeiros nove meses de 2026. Segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 143,3 bilhões entre janeiro e setembro, resultado 11,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A China segue como principal parceiro comercial do Brasil, respondendo por mais de um quarto de todo o comércio exterior brasileiro.
As exportações brasileiras para o mercado chinês atingiram US$ 84,7 bilhões, alta de 12%, enquanto as importações cresceram 9,9%, totalizando US$ 58,6 bilhões. Com isso, o Brasil acumulou superávit de US$ 26,1 bilhões na relação comercial com o país asiático.
O grande destaque do período foi o petróleo brasileiro. As vendas para a China cresceram 49%, alcançando US$ 21,8 bilhões, impulsionadas pela forte demanda energética global e pelo cenário de instabilidade no Oriente Médio. O país asiático absorveu cerca de metade de todo o petróleo exportado pelo Brasil, consolidando-se como mercado estratégico para o setor. A soja permaneceu na liderança da pauta exportadora, com US$ 30 bilhões em vendas, seguida pelo minério de ferro, com US$ 13,8 bilhões.
Na contramão do petróleo, a carne bovina brasileira enfrentou dificuldades. As exportações para a China recuaram 8,5% em valor após o esgotamento da cota anual de importação estabelecida por Pequim. Desde outubro, os volumes que ultrapassam o limite de 1,106 milhão de toneladas passaram a enfrentar uma sobretaxa de 55%, reduzindo a competitividade do produto brasileiro. Em contraste, as exportações de carne de frango dispararam 113%, abrindo espaço para uma diversificação da pauta agropecuária destinada ao mercado chinês.
Para Mato Grosso do Sul, um dos maiores produtores nacionais de soja, milho, proteína animal e celulose, o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China reforça oportunidades para o agronegócio estadual. Ao mesmo tempo, as novas restrições à carne bovina demonstram a importância de ampliar mercados e agregar valor à produção para reduzir a dependência de medidas comerciais impostas pelos principais compradores internacionais.