Chuva de 65,8 mm prova que drenagem resolveu alagamentos no Parque Alvorada, em Dourados
Sistema construído em etapas pela Prefeitura de Dourados custou R$ 1,6 milhão e pôs fim a décadas de enxurradas que invadiam até um mosteiro de freiras; entenda como funciona
Divulgação/PREFEITURA MUNICIPAL DE DOURADOS
Uma chuva de 65,8 milímetros registrada entre a madrugada e o fim da manhã desta terça-feira, 22 de setembro de 2026, serviu de teste involuntário para o novo sistema de drenagem do bairro Parque Alvorada, em Dourados — e a infraestrutura passou sem intercorrências. Pela primeira vez em décadas, nem os moradores da região baixa do bairro nem as irmãs do Mosteiro Santa Maria dos Anjos, das Clarissas, precisaram enfrentar a enxurrada que historicamente descia das partes mais altas e invadia o local.
O volume pluviométrico foi apurado pela estação Guia Clima, da Embrapa Agropecuária Oeste de Dourados. Para entender a dimensão do problema antigo: o mosteiro, inaugurado em 2009 e primeiro de clausura feminina de Mato Grosso do Sul, sofreu alagamentos desde sua fundação, situado numa área mais baixa do bairro onde as águas convergiam a cada temporal. Gestões anteriores tentaram intervenções paliativas, sem sucesso duradouro.
R$ 1,6 milhão em obras estruturais construídas em etapasO pacote de intervenções que encerrou o ciclo de alagamentos somou R$ 1.643.523,19 em investimentos, financiados com recursos federais e contrapartida do município. As obras incluíram pavimentação asfáltica das ruas Olívio Waldemar Beker e Ramão Gomes de Matos, recapeamento da Rua Sargento Moisés Soares da Silva e a implantação de um sistema completo de captação pluvial com bocas de dragão, bocas de lobo, galerias subterrâneas, poços de visita e caixas de passagem. Também foram conectadas tubulações de drenagem na Rua Afonso Pena e em trechos da Avenida Júlio Marques de Almeida.
A última fase das obras, concluída em julho do ano passado, instalou novas bocas de dragão no cruzamento das ruas Monte Alegre e Menote Marques de Mattos — exatamente o trecho que acumulava décadas de reclamações. O sistema funciona como uma rede de grandes ralos que captam a água e a conduzem para galerias subterrâneas, reduzindo o volume que escoa em direção à Avenida Guaicurus. "São obras estruturais importantes, que poderiam ter sido realizadas há muitos anos e não foram, mas agora a nossa gestão solucionou esse problema em definitivo", afirmou o prefeito Marçal Filho.
Monitoramento segue mesmo após o resultadoO secretário municipal de Serviços Urbanos, Luis Roberto Martins, informou que as estruturas foram projetadas para suportar grandes volumes de chuva e que o acompanhamento da região vai continuar. Novas intervenções poderão ser feitas se o monitoramento identificar pontos de atenção. Além da área próxima ao mosteiro, também não houve registro de alagamentos nas imediações da Rua Monte Alegre, na entrada do Parque Alvorada — trecho que também sofria com o problema há mais de trinta anos.
O prefeito acompanhou pessoalmente as etapas das obras. "Quando o poder público atua com olhar voltado para os problemas estruturais do município e elege prioridades, é possível encontrar soluções para situações como essa que atingia o Mosteiro Santa Maria dos Anjos", disse Marçal Filho. A chuva desta terça consolidou o que meses de obras prometiam: que o Parque Alvorada não voltaria a encher.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE DOURADOS; EMBRAPA AGROPECUÁRIA OESTE