Cheia do Pantanal fica abaixo da média histórica em 2026

Rio Paraguai marcou 1,95 metro em Ladário em abril, cerca de 1,2 metro abaixo da media; cenário favorece pecuária em algumas áreas, mas preocupa setor pesqueiro

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A cheia de 2026 no Pantanal não foi suficiente para devolver os rios aos níveis tradicionalmente registrados durante o período de inundação. A estação chuvosa de 2025/2026 proporcionou recuperação parcial na Bacia do Alto Paraguai, mas o volume e principalmente a distribuição das chuvas não conseguiram reverter o déficit hídrico acumulado nos últimos anos. 

Um dos principais indicadores está em Ladário (MS), referência para o acompanhamento do comportamento das águas pantaneiras. Em 19 de abril, a régua do Rio Paraguai registrou 1,95 metro, enquanto a mediana histórica para a mesma data é de aproximadamente 3,18 metros. A diferença, portanto, ficou em cerca de 1,2 metro. 

A análise atribuída à Embrapa Pantanal mostra ainda que, entre outubro de 2025 e março de 2026, as chuvas acumuladas na Bacia do Alto Paraguai ficaram aproximadamente 10% a 12% abaixo da média e da mediana histórica, considerando a série de 1981 a 2026. Janeiro apresentou um déficit mais acentuado de precipitação, enquanto fevereiro trouxe uma recuperação pontual. Essa irregularidade dificultou a formação de um pulso de inundação contínuo em toda a bacia. 

O cenário atual também é consequência de um processo que começou antes da última estação chuvosa. A bacia carrega os efeitos de um período de estiagem iniciado em 2019, com sucessivos déficits de armazenamento de água. Parte das chuvas recentes é utilizada na recomposição da umidade do solo, aquíferos e demais reservas hídricas antes de contribuir de forma mais efetiva para elevar os rios e provocar a inundação da planície. 

Entre as atividades econômicas, a pecuária bovina desenvolvida perto do Rio Paraguai pode ser uma das beneficiadas pelo atual comportamento das águas. A disponibilidade hídrica, combinada com uma inundação menos prolongada, favorece determinadas áreas de pastagem nativa. A avaliação disponível também aponta que o nível registrado não deve comprometer significativamente a navegação e atividades associadas ao turismo. 

O efeito é diferente para a produção pesqueira, que depende diretamente da altura, extensão e duração das inundações. Cheias maiores ampliam áreas utilizadas como alimentação, abrigo e desenvolvimento dos peixes, principalmente após a reprodução. Com uma cheia menor, esse ambiente disponível diminui, o que pode repercutir sobre a produtividade pesqueira nos ciclos seguintes.


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