A crise envolvendo o Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do Paraguai, também atingiu brasileiros que mantinham contas no país vizinho, especialmente moradores da faixa de fronteira e empresários que realizam operações comerciais entre os dois países. Com a intervenção determinada pelo Banco Central do Paraguai (BCP), clientes tiveram contas bloqueadas temporariamente e enfrentaram dificuldades para movimentar recursos, realizar pagamentos e acessar aplicativos bancários.
Nas cidades de fronteira, como Pedro Juan Caballero e Salto del Guairá, onde muitos brasileiros possuem contas para facilitar negócios, compras e investimentos, a suspensão das operações gerou preocupação e incerteza. Clientes passaram a buscar informações sobre garantias para recuperação dos depósitos, enquanto comerciantes relataram impactos em transações financeiras e no fluxo de pagamentos internacionais.
O governo paraguaio anunciou que os correntistas serão ressarcidos por meio dos mecanismos de proteção financeira do país, mas o processo ainda depende da evolução das investigações e da liquidação dos ativos da instituição. O caso ganhou repercussão após a descoberta de problemas de solvência no banco e a abertura de investigações que resultaram na prisão de dirigentes ligados à administração da instituição.
Além dos prejuízos financeiros, brasileiros com recursos aplicados no Ueno Bank acompanham com apreensão o agravamento da crise política no Paraguai.
Manifestações em Assunção passaram a cobrar explicações do governo do presidente Santiago Peña, que enfrenta forte pressão da oposição devido a antigos vínculos empresariais com o grupo controlador do banco. Enquanto a instabilidade persiste, correntistas brasileiros aguardam definições sobre prazos e valores que poderão ser recuperados.