Um colar de corda náutica com pingente de madeira vendido num festival literário de Bonito foi o ponto de partida de um negócio que hoje atravessa fronteiras. Há cerca de dois anos, Marilizi Duarte e o marido começaram a transformar galhos secos e retalhos de madeira descartada em acessórios artesanais sob a marca Ruiz Biojoias, e as peças já foram parar na mala de turistas dos Estados Unidos e da Itália.
A história começou quase por acaso. Incentivada por amigas, Marilizi passou a produzir os colares num momento em que havia reduzido a carga horária na escola onde trabalha, depois do nascimento do segundo filho. Ao levar a produção para o Festival Literário de Bonito, vendeu tudo. "Eu falei: as pessoas gostam das minhas coisas. Elas pagaram por algo que eu fiz", lembra a empreendedora, que viu ali a confirmação de que o artesanato podia virar fonte de renda, e não só um desabafo criativo.
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A matéria-prima da Ruiz Biojoias vem de galhos que já caíram das árvores da região e de sobras de madeira que seriam jogadas fora. O acabamento é feito com óleo de coco e cera de abelha, e cada peça carrega as marcas naturais do material, sem padronização industrial. Com o tempo, o casal passou a incorporar couro às criações e a investir em acabamentos mais elaborados, unindo marcenaria e macramê numa produção toda manual.
A localização em Bonito, um dos destinos turísticos mais procurados do país, ajudou a espalhar as peças por outros estados e países. Muitos visitantes compram os acessórios como lembrança da viagem. "Eu fiquei muito feliz pelo reconhecimento do produto, por alguém procurar, querer e ter a intenção de levar uma peça minha", conta Marilizi.
O salto de artesanato informal para empresa estruturada aconteceu com a entrada de Marilizi em programas do Sebrae/MS. A participação na plataforma Made in Pantanal abriu caminho para feiras, eventos e capacitações. Em 2026, ela ingressou no Sebrae Delas, voltado a negócios liderados por mulheres, e passou por consultorias que resultaram até na reformulação da logomarca e da identidade visual da marca.
"Até então, a empresa existia, as coisas aconteciam, mas ela não tinha uma organização. Com o programa, comecei a entender como o negócio deveria funcionar e a estruturar tudo no papel", explica a empreendedora. As rodadas de negócios promovidas pelo Sebrae/MS também abriram portas: Marilizi passou a enxergar a possibilidade de fechar parcerias com hotéis e atrativos turísticos, produzindo encomendas personalizadas em vez de se limitar aos acessórios de prateleira.
O acompanhamento também mudou a forma como ela precifica o próprio trabalho. Em alguns momentos, pensou em baratear peças para caber em feiras, mas foi orientada a não desvalorizar o que produz. "Às vezes, a gente quer se minimizar ou diminuir. E o Sebrae me ajuda a enxergar que preciso me valorizar para que as pessoas também valorizem meu produto", afirma. Quem quiser conhecer os programas de apoio a pequenos negócios em Mato Grosso do Sul pode buscar informações pela Central de Relacionamento do Sebrae/MS, pelo telefone 0800 570 0800.
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Fontes: SEBRAE/MS