Um painel de azulejos com quase 60 anos, instalado dentro de uma loja de eletrodomésticos na Rua Delamare, no centro histórico de Corumbá, está sendo restaurado sob acompanhamento técnico da Fundação de Desenvolvimento Urbano e Patrimônio Histórico (FUPHAN). A obra fica no antigo prédio do Banco Financial, próximo à Rua Frei Mariano, e os custos do serviço são bancados integralmente pela empresa responsável pelo imóvel, sem uso de verba pública.
A peça é atribuída ao artista Angelo Taccari e teria sido produzida por volta de 1965, quando o espaço ainda funcionava como agência bancária. Registros biográficos do artista citam a execução de painéis semelhantes para unidades do Banco Financial em Corumbá, Cuiabá e Campo Grande, o que embasa a atribuição da autoria pela FUPHAN.
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O desenho reúne cenas da pecuária, da mineração, da ferrovia, da navegação e do comércio regional, com referências ao Pantanal e ao Rio Paraguai, funcionando como um retrato visual da economia que moldou Corumbá ao longo do século 20.
Esta não é a primeira vez que o painel passa por reparos. Em 2006, quando o imóvel era ocupado pelo banco HSBC, a artista restauradora Leonor Lage já havia conduzido uma intervenção semelhante. Duas décadas depois, o desprendimento de peças cerâmicas voltou a abrir fissuras e lacunas na composição, exigindo nova atuação técnica para impedir a perda definitiva de trechos da obra.
A restauração atual é conduzida pela arquiteta Perla Larsen, com orientação da FUPHAN em cada etapa. O trabalho inclui a remoção controlada de peças soltas, numeração dos fragmentos originais, recomposição com material recuperado e preenchimento das lacunas com base em registros fotográficos da obra, sempre com validação técnica da fundação antes da aplicação.
O caso chama atenção porque toda a conta fica com a iniciativa privada: a empresa dona do imóvel arca com o serviço, enquanto a FUPHAN cumpre papel de fiscalização e orientação técnica, sem desembolsar recursos públicos na obra. Ao final, será produzido um relatório documental com registro fotográfico de cada fase, material que deve ampliar o histórico de conservação do painel para futuras intervenções.
Mesmo funcionando hoje como espaço comercial, o imóvel preserva um fragmento da identidade urbana de Corumbá construída nos anos 1960, quando bancos e empresas encomendavam obras de arte para decorar suas sedes na fronteira com a Bolívia. Outro exemplo de recuperação patrimonial na cidade é a restauração do Mercado Municipal de Corumbá, orçada em R$ 6,1 milhões.
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Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CORUMBÁ