Ataques marcam retomada de terra guarani kaiowá em Amambai
Cimi registra nova onda de violência na aldeia Tapy'i Kora após indígenas retomarem área tradicional na fronteira com o Paraguai
Foto: Elias S. Castro / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
A aldeia Tapy'i Kora, na zona rural de Amambai, na fronteira com o Paraguai, voltou a ser palco de ataques contra famílias guarani e kaiowá depois que o grupo retomou uma área considerada terra tradicional. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) denuncia uma nova escalada de violência na região, com moradores relatando intimidação e agressões desde a reocupação.
Retomadas de terra são a principal forma de luta usada por comunidades guarani kaiowá em Mato Grosso do Sul para pressionar pela demarcação de territórios que consideram ancestrais, mas ocupados hoje por fazendas. O estado concentra o maior número de conflitos fundiários envolvendo povos indígenas do país, e Amambai, cidade na divisa com o Paraguai, é um dos municípios historicamente mais tensos nesse tipo de disputa.
O que o Cimi relata sobre os ataquesSegundo o Cimi, a comunidade da aldeia Tapy'i Kora tem sofrido ações de intimidação e violência desde que decidiu ocupar novamente a área reivindicada como território tradicional. O conselho aponta que episódios do tipo costumam se intensificar justo no momento em que famílias indígenas avançam sobre terras disputadas com produtores rurais da região.
A organização, ligada à Igreja Católica, atua há décadas documentando casos de violência contra povos originários em Mato Grosso do Sul e costuma ser a primeira a registrar denúncias em aldeias de difícil acesso, como é o caso de comunidades da fronteira com o Paraguai.
Amambai e o histórico de conflitos por terraAmambai já foi cenário de outros episódios de tensão envolvendo retomadas guarani kaiowá, um padrão que se repete em diferentes pontos do chamado Cone Sul de Mato Grosso do Sul, faixa que concentra a maior parte das aldeias e também dos conflitos fundiários do estado. A proximidade com a fronteira paraguaia soma um componente extra de complexidade à fiscalização de terras na região.
Casos como o da aldeia Tapy'i Kora reacendem o debate sobre a demora na demarcação de territórios indígenas em Mato Grosso do Sul, processo que tramita há anos em instâncias federais sem solução definitiva para boa parte das áreas reivindicadas pelos guarani kaiowá.
Fontes: CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO (CIMI)