Artesãos da Costa Leste de MS usam celulose e resíduo têxtil para vender mais

Encontro em Bataguassu reuniu artesãos de 6 cidades com compradores; veja como celulose e sobras de tecido viraram renda na região

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Divulgação/Sebrae/MS
Divulgação/Sebrae/MS

Chapas de celulose que sobram da produção industrial de Três Lagoas e retalhos de tecido descartados por fábricas de Bataguassu ganharam outro destino nesta quinta-feira (22). Os dois materiais, hoje matéria-prima de bolsas, acessórios e peças de design, estiveram no centro do Encontro Regional de Artesanato da Costa Leste, realizado em Bataguassu com produtores de Inocência, Três Lagoas, Aparecida do Taboado, Bataguassu, Brasilândia e Paranaíba.

A organização coube à MS Florestal e ao Sebrae/MS, com apoio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e da Prefeitura de Bataguassu. Na prática, o evento funcionou como ponte entre quem produz artesanato na região e quem compra: lojistas de outras partes do estado se sentaram frente a frente com os artesãos em uma sessão de negócios, depois de um painel sobre o setor e uma palestra sobre precificação e comercialização.

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Da celulose ao origami: um artesão reinventa a matéria-prima da região

O caso mais direto da conexão entre indústria e artesanato na Costa Leste é o de Eduardo Nakamura, de Três Lagoas. Artesão desde 2002, ele transforma chapas de celulose, insumo abundante por causa das fábricas instaladas na cidade, em peças artísticas, combinando a técnica com origami. "No início foi um grande desafio entender como trabalhar esse material, porque ele parece simples, mas exige técnica e ferramentas específicas", contou.

Depois de um período afastado de eventos do setor, Nakamura disse ter encontrado em Bataguassu a chance de reatar contatos que não apareceriam trabalhando sozinho. "É nesses encontros que surgem oportunidades que muitas vezes a gente não enxerga sozinho", afirmou.

Resíduo têxtil virou associação e espaço fixo de venda

Em Bataguassu, a ligação entre indústria e artesanato já rendeu estrutura permanente. Desde 2023, o projeto Costura Sustentável, do Sebrae/MS com a MS Florestal, qualifica mulheres do município para fazer bolsas e acessórios a partir de resíduos industriais. O trabalho resultou na criação da Associação Ipê Rosa e na Casa da Costura Sustentável, espaço voltado à produção e venda das peças.

Em 2026, a parceria chegou também a Nova Porto XV, distrito de Bataguassu, com diagnóstico do grupo local de artesãos e acompanhamento do designer Renato Imbroisi. Entre as participantes está Fabiana Batista, que há quase cinco décadas trabalha com argila, madeira, macramê e saboaria artesanal. "Participar desses eventos é muito importante porque conseguimos mostrar o nosso trabalho, divulgar o que fazemos e também gerar vendas", disse.

Encontro mirou venda, não só qualificação

A gerente da Regional Costa Leste do Sebrae/MS, Josi Signori, afirmou que juntar artesãos, instituições e compradores em um só lugar amplia o alcance de uma produção que já tem identidade própria. "Quando conectamos artesãos, associações, especialistas e compradores, ampliamos a possibilidade de transformar talento em renda", disse.

O vice-prefeito de Bataguassu, Cleyton Rodrigo da Silva, destacou o reflexo econômico direto para o município e o distrito de Nova Porto XV. Já o gerente de Relações Institucionais da MS Florestal, Bruno Madalena, reforçou que o apoio da empresa segue nas próximas etapas do projeto com os grupos produtivos da região.

Na sessão de negócios, artesãos apresentaram peças a lojistas de outras regiões do estado e discutiram preço, capacidade de produção, acabamento e regularidade de fornecimento, pontos que pesam diretamente na hora de fechar contratos comerciais.

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Fontes: SEBRAE/MS; FUNDAÇÃO DE CULTURA DE MATO GROSSO DO SUL; PREFEITURA DE BATAGUASSU


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