Arquivo Público acha 92 hinos rivais do atual Hino de MS

Pesquisadores localizaram quase cem composições enviadas ao concurso de 1978; peças inéditas entram em exposição a partir de 21 de outubro

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Divulgação/ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
Divulgação/ARQUIVO PÚBLICO ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL

Um concurso nacional disputado em 1978, antes mesmo da criação oficial de Mato Grosso do Sul, guardava um mistério que só foi resolvido 48 anos depois: o que aconteceu com as composições que concorreram e perderam para o hino estadual que se tornou oficial. O Arquivo Público Estadual encontrou 92 hinos enviados de várias regiões do Brasil para o Concurso Nacional de Símbolos de Mato Grosso do Sul, criado para escolher bandeira, brasão e hino do estado recém-formado.

A descoberta nasceu de uma lacuna percebida durante a exposição Os Celeiros de Farturas, em 2024, quando a equipe do Arquivo notou que não havia registro dos trabalhos que disputaram o concurso. "Durante a exposição nos chamou a atenção a ausência da documentação de hinos concorrentes, bem como a não localização dos trabalhos concorrentes", afirma o coordenador do Arquivo Público Estadual, Douglas Alves da Silva. A partir daí, pesquisadores passaram a vasculhar acervos regionais até reunir o material que agora vira exposição.

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Letras, partituras e autores quase todos identificados

Dos 92 hinos recuperados, a maioria já tem autoria confirmada: apenas quatro a seis composições seguem sem nome de autor identificado. "Nós temos hinos que vieram de todas as regiões do Brasil, porque esse concurso foi um concurso nacional", explica Douglas. O acervo reúne letras, partituras e memoriais descritivos, embora nem todas as peças tenham chegado com a melodia completa, e nenhuma delas foi gravada em áudio.

Sete composições chegaram a ser enviadas à Funarte para avaliação técnica, mas nenhuma foi aprovada pela comissão. Diante disso, o hino oficial de Mato Grosso do Sul acabou sendo encomendado: a melodia ficou a cargo do maestro Radamés Gnattali, e a letra foi escrita pelos membros da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras Jorge Antônio Siufi e Otavio Gonçalves Gomes.

Regras do edital eliminaram parte dos concorrentes

Segundo Douglas, a análise dos documentos recuperados ajuda a entender por que tantas composições ficaram fora da disputa. O edital original exigia que os participantes se identificassem por pseudônimo, mas alguns escreveram o próprio nome ou até endereço completo nos envelopes, o que pode ter motivado desclassificação. Outra hipótese é o atraso no envio: o prazo final era 15 de outubro daquele ano, e hinos recebidos depois dessa data também teriam sido descartados do concurso.

O material completo será aberto ao público a partir das 18 horas do dia 21 de outubro de 2026, na temporada expográfica Muito Além do Acorde Final, ensaios e versos do hino sul-mato-grossense. Durante o evento de abertura, também será exibido o documentário Raízes Em Canção, a história do Hino de Mato Grosso do Sul, dirigido por Gabriela Dias e Douglas Alves da Silva, com realização do Espaço Energia Energisa.

A equipe do Arquivo já trabalha na etapa seguinte: um catálogo impresso reunindo todos os 92 hinos, suas letras e partituras, programado para ser lançado em 2027, ano em que Mato Grosso do Sul completa 50 anos de criação. "Agora, nos 49 anos, a gente apresenta pela primeira vez esses índices para a sociedade, já fica disponível para que pesquisadores venham", diz Douglas.

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