Aniversário de MS: moda autoral vira negócio e ganha vitrine nacional

Estilistas sul-mato-grossenses transformam tuiuiú, araras e tingimento natural em coleções; veja como o Sebrae apoiou três marcas do estado

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Divulgação/SEBRAE/MS
Divulgação/SEBRAE/MS

Mato Grosso do Sul chega aos 49 anos de criação, completados em 11 de outubro de 2026, com um grupo de estilistas transformando símbolos do Pantanal e do Cerrado em roupa de verdade: araras-vermelhas viram estampa de camiseta, o tuiuiú vira vestido de passarela, e cascas de árvores do próprio solo sul-mato-grossense viram corante têxtil. O movimento tem nome técnico, slow fashion, mas na prática é moda autoral: peças em tiragem pequena, produção artesanal e um discurso que recusa a roupa genérica de prateleira.

Por trás das coleções está um trabalho de capacitação do Sebrae/MS, que oferece consultoria, cursos e acesso a eventos de mercado para transformar artesãos e costureiros em marcas estruturadas. "O mercado de moda com identidade regional tem um potencial muito grande em Mato Grosso do Sul", diz Penélope Herradon, gestora dos projetos de Moda do Sebrae/MS, que cita a Rota Bioceânica como caminho de exportação futura para esses produtos.

Do crochê de infância às passarelas com Daniela Mercury

O estilista Hígor Euzébio começou a fazer crochê para uso próprio, entre 2021 e 2022, como forma de lidar com a ansiedade no fim da graduação em Biomedicina. A estreia em desfile veio em 2024, no Festival de Inverno de Bonito, depois de aprovado em edital. De lá para cá, suas peças já vestiram nomes como Daniela Mercury, Marina Sena, Margareth Menezes e a influenciadora Gkay.

Em 2026, Hígor voltou ao festival em Bonito com um vestido inspirado no tuiuiú, ave símbolo do Pantanal, e antes disso já havia representado o estado em um desfile de moda artesanal em São Paulo, levando como referência as araras-vermelhas que observava nos coqueiros de Campo Grande. "O Sebrae entra estruturando a empresa para a gente crescer com base sólida", afirma o estilista, que cita o EmpreendeFest como evento decisivo para abrir mercado fora de MS.

Tingimento com barro e jenipapo vira coleção premiada

O artista e estilista Anderson Bosh, que descobriu na moda uma forma de se afirmar após nascer intersexo em 1972, apresentou em Bonito, também em 2026, a coleção "Casca Barro Mato Sul". As peças usam tingimento natural extraído de angico, barbatimão, jenipapo, anileira, jatobá e diferentes tipos de solo do estado, aplicados sobre algodão e linho. Cerca de 70% da produção da marca é agênero, e o projeto teve apoio direto do Sebrae/MS para viabilizar o desfile.

Camiseta como arquivo visual de Campo Grande

Em Campo Grande, o arquiteto Yuri Chaparro criou a marca Porã entre o fim de 2023 e o início de 2024, depois de quase nove anos trabalhando com paisagismo, patrimônio histórico e urbanismo. As estampas, feitas em serigrafia à base de água sobre camisetas 100% algodão, retratam comidas típicas e paisagens do estado. "A ideia não é simplesmente colocar um desenho do Pantanal em uma camiseta, é tentar contar uma história através da imagem", explica Chaparro, que também recorreu a consultorias do Sebrae/MS para estruturar gestão, posicionamento e vendas da marca.

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Fontes: SEBRAE/MS


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