Uma noite de temporal na área rural de Amambai, na fronteira com o Paraguai, derrubou a moega da CBS Armazéns, estrutura usada para receber e direcionar grãos, na segunda-feira, 21 de setembro de 2026. O município registrou 87,2 milímetros de chuva em poucas horas — o maior volume entre todas as cidades de Mato Grosso do Sul no período, segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) — e ventos que chegaram a 108 km/h por volta da 1h desta terça-feira, 22 de setembro.
O estrago aconteceu às margens da MS-289, num armazém com capacidade para 220 mil sacos de grãos, o que dá dimensão do porte da estrutura atingida. Imagens registradas no local mostram a cobertura metálica da moega retorcida pela força do vento, mas o restante do complexo não sofreu danos.
O proprietário do empreendimento, Cristiano Bortolotto, afirmou que o temporal não comprometeu as estruturas principais do armazém. "Felizmente, não houve perda de mercadorias", disse. Segundo ele, ainda não existe um valor fechado para o conserto dos danos causados especificamente à moega — a parte afetada pelo vendaval.
O prefeito de Amambai, Sérgio Barbosa, relatou que o período mais intenso da chuva ocorreu entre 20h e 22h de segunda-feira, com grande volume de água associado a rajadas fortes. Ainda choveu de madrugada, mas com intensidade menor. Segundo o prefeito, a área urbana do município não teve registro de estragos — os danos ficaram concentrados na zona rural, onde fica o armazém.
Depois de Amambai, os maiores volumes de chuva do estado foram registrados em Rochedo (85 milímetros), Aral Moreira (70 milímetros), Dourados (66,8 milímetros) e Caarapó (62 milímetros), conforme o levantamento do Cemtec. O órgão já havia alertado para acumulados superiores a 40 milímetros em 24 horas, com risco de raios, granizo e rajadas de vento, por causa da passagem de uma frente fria pelo estado.
Com o avanço do ar frio, o Cemtec também prevê possibilidade de mínima invertida em Mato Grosso do Sul — quando as temperaturas mais baixas do dia ocorrem à tarde ou à noite, e não na madrugada — além de ventos entre 50 km/h e 70 km/h, com rajadas pontuais que podem passar de 80 km/h.
O prefeito Sérgio Barbosa lembrou que Amambai já enfrentou três temporais só neste ano. Em 2025, outro vendaval havia destelhado cerca de 300 casas no município e levou a prefeitura a decretar situação de emergência, com estragos concentrados em moradias de famílias de baixa renda e em comunidades indígenas da região.
Fontes: CEMTEC; PREFEITURA DE AMAMBAI; CAMPO GRANDE NEWS