Perfil das candidaturas nas eleições no MS em 2026
Mesmo com políticas de incentivo à participação de negros e indígenas, candidatos autodeclarados brancos representam 57,3% dos registros no Estado
Levantamento com base nos registros da Justiça Eleitoral mostra que as candidaturas de pessoas autodeclaradas brancas continuam predominando em Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026. Os dados indicam que 240 dos 419 candidatos registrados no Estado se identificam como brancos, o equivalente a 57,27% do total.
O percentual é superior ao verificado nas eleições de 2022, quando os candidatos brancos representavam 54,71% dos registros eleitorais, com 325 candidaturas entre 594 concorrentes. Apesar da redução no número total de postulantes, a participação proporcional desse grupo aumentou no período.
Os povos indígenas foram os únicos a registrar crescimento na participação eleitoral. O número de candidatos autodeclarados indígenas passou de 11 em 2022 para 21 em 2026, um aumento de aproximadamente 90,9%. Ainda assim, a representatividade permanece abaixo de 5% do total de candidaturas, subindo de 1,85% para 4,99%.
As candidaturas de pessoas pardas apresentaram queda de 186 para 125 registros entre as duas eleições, uma redução de 32,8%. Mesmo com a diminuição, o grupo segue representando cerca de 30% dos candidatos sul-mato-grossenses.
Já entre os candidatos autodeclarados pretos foi observada a maior retração proporcional. O número caiu de 52 para 29 candidaturas, redução de 44,23%. A participação desse grupo no total de concorrentes recuou de 8,75% para 6,89%. Segundo os registros eleitorais, não há candidatos autodeclarados quilombolas em Mato Grosso do Sul nesta eleição.
A legislação eleitoral prevê mecanismos para ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados. Conforme as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os partidos devem garantir recursos mínimos para campanhas de pessoas negras e adotar critérios específicos para a distribuição de verbas destinadas às candidaturas indígenas.
A Resolução nº 23.752/2026 estabelece que pelo menos 30% dos recursos de campanha destinados às candidaturas proporcionais devem ser direcionados a candidatos negros. No caso dos indígenas, a distribuição deve seguir a proporção de candidaturas registradas por gênero dentro de cada partido.
Os percentuais finais de participação de mulheres, negros e indígenas são calculados pelo TSE com base no conjunto das candidaturas apresentadas pelos partidos em âmbito nacional.
Para especialistas em representação política, os números revelam avanços pontuais, especialmente na presença indígena, mas também demonstram que os desafios para ampliar a diversidade racial nas disputas eleitorais ainda permanecem no cenário sul-mato-grossense.