Maracaju bate 10°C e lidera frio em MS nesta quinta-feira
Com 10,1°C, cidade do Cone Sul registrou a menor mínima do estado; sul e centro-sul tiveram as manhãs mais geladas, enquanto Campo Grande ficou em 17,8°C.
Divulgação
A cidade de Maracaju, a 160 km de Campo Grande, acordou com 10,1°C nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, e registrou a menor temperatura mínima de Mato Grosso do Sul no dia, segundo dados do Inmet e do Cemtec/Semadesc. Logo atrás vieram Laguna Carapã, com 10,8°C, e Amambai, com 11,6°C — todas no sul e centro-sul do estado, região que concentrou as manhãs mais frias desta passagem de frio.
A intensidade do frio variou consideravelmente conforme a latitude. Em Água Clara e em uma fazenda de Inocência, no norte do estado, as mínimas chegaram a 12,2°C, e Bandeirantes marcou 12,5°C. Já na fronteira com o Paraguai, Iguatemi e Ponta Porã registraram 13,8°C, enquanto Fátima do Sul ficou em 12,6°C. Em Campo Grande, a capital teve mínima de 17,8°C — bem acima das cidades do sul, mas ainda dentro do padrão de manhã amena para setembro.
Planalto sul-mato-grossense e o mapa do frioA geografia explica em grande parte por que o termômetro de Maracaju desce antes e mais fundo do que o do restante do estado. O município está assentado sobre o Planalto de Maracaju-Campo Grande, faixa de altitude que varia entre 300 e 600 metros e funciona como barreira natural ao avanço de massas de ar quente vindas do norte. Quando uma frente fria de origem polar avança pelo Cone Sul, esse relevo favorece o acúmulo do ar mais denso e gelado nas primeiras horas da madrugada — fenômeno que os meteorologistas chamam de inversão térmica noturna e que faz com que a temperatura registrada pelos instrumentos já seja, na prática, o ponto mais baixo do episódio.
Não é a primeira vez que Maracaju aparece no topo desse ranking. Historicamente, o município divide com Ponta Porã e com municípios serranos do extremo sul a posição de cidade mais fria do estado em ondas de frio de intensidade moderada a forte. A diferença de quase 8°C entre Maracaju e Campo Grande nesta quinta-feira ilustra como Mato Grosso do Sul, apesar de sua imagem de estado quente e seco, carrega em seu território uma diversidade climática que vai do calor de Corumbá aos invernos pontiagudos do planalto meridional.
Sul do estado lidera queda térmica em setembroO padrão desta quinta seguiu o comportamento típico de frentes frias que avançam pelo Cone Sul de MS: a queda de temperatura é mais acentuada nos municípios próximos à fronteira com o Paraguai e ao Paraná, onde o relevo mais elevado favorece o acúmulo de ar frio. Setembro, embora seja o mês de transição para a primavera, ainda permite a entrada de sistemas frontais com capacidade de derrubar as mínimas abaixo dos 12°C no sul do estado — janela que tende a se fechar à medida que o mês avança e o calor começa a ganhar consistência no centro-oeste brasileiro.
Para a agropecuária regional, episódios como este têm consequências práticas. Maracaju é um dos maiores produtores de soja e milho de Mato Grosso do Sul, e geadas tardias — ainda possíveis enquanto as mínimas rondarem os 10°C — representam risco para lavouras em estágio inicial de plantio de milho safrinha ou para pastagens em recuperação. O Cemtec monitora a possibilidade de geada sempre que a temperatura mínima se aproxima dos 4°C em superfície, mas a umidade relativa do ar desta passagem de frio não favoreceu a formação de geada na região.
Nos próximos dias, a tendência é de recuperação gradual das temperaturas mínimas à medida que o sistema frontal se afasta em direção ao litoral sul do Brasil e o sol ganha força durante as tardes. O Cemtec projeta que as mínimas no sul do estado devem voltar a superar os 15°C já no fim de semana, com máximas podendo alcançar 28°C a 30°C em grande parte do território sul-mato-grossense — reafirmando o caráter passageiro, porém marcante, das ondas de frio que ainda chegam a setembro.
Fontes: INMET; CEMTEC/SEMADESC; A CRÍTICA DE CAMPO GRANDE