ALEMS analisa proposta que cria avaliação periódica de políticas públicas em MS

Projeto em tramitação na Assembleia Legislativa quer institucionalizar revisões regulares dos programas do governo estadual; entenda o que muda.

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) analisa uma proposta que, se aprovada, obrigaria o governo estadual a realizar avaliações periódicas das políticas públicas implementadas no estado. A iniciativa está em tramitação na Casa e busca criar um mecanismo formal de revisão e controle sobre programas e ações do Executivo estadual — preenchendo uma lacuna que, até hoje, deixa o monitoramento desses programas à discrição de cada secretaria.

A ideia central é institucionalizar um processo de checagem recorrente sobre a efetividade das políticas adotadas pelo estado. Na prática atual, esse tipo de revisão depende de iniciativas isoladas ou de determinações orçamentárias pontuais, sem obrigação legal de continuidade. Com uma regra fixa, o governo seria compelido a demonstrar, em intervalos definidos, se os programas estão alcançando os resultados para os quais foram concebidos.

Uma lacuna histórica no controle do gasto público

O Brasil tem uma tradição consolidada de criar políticas públicas sem mecanismos igualmente robustos para avaliá-las. Desde a Constituição de 1988, quando o Estado brasileiro ampliou dramaticamente seu papel social, multiplicaram-se programas nas áreas de saúde, educação, assistência social e infraestrutura — mas os instrumentos de aferição de resultados não cresceram na mesma proporção. Tribunais de Contas passaram a exercer parte desse papel, mas com foco predominante na legalidade dos atos, e não na efetividade das ações.

Nos últimos anos, estados como São Paulo, Minas Gerais e Ceará avançaram na construção de sistemas estruturados de monitoramento, inspirados em modelos internacionais que vinculam o orçamento ao desempenho dos programas. Mato Grosso do Sul, que administra um orçamento estadual da ordem de mais de R$ 20 bilhões anuais, tem convivido com a ausência de um arcabouço legal que obrigue o Executivo a prestar contas sobre resultados — não apenas sobre procedimentos.

Controle e transparência como eixo da proposta

A proposta insere Mato Grosso do Sul em um debate mais amplo que tem avançado em outros estados brasileiros: a criação de sistemas estruturados de monitoramento e avaliação de políticas públicas, com critérios claros e periodicidade definida em lei. O objetivo é dar ao Legislativo — e à sociedade — instrumentos concretos para cobrar resultados do Executivo, além de subsidiar decisões sobre continuidade, ajuste ou encerramento de programas que consomem recursos públicos sem evidência de impacto.

Segundo informações divulgadas pela Assembleia Legislativa, o texto estabelece a avaliação como obrigação institucional, e não como prática facultativa. Os detalhes sobre prazos, metodologia e órgão responsável pelas avaliações constam no projeto em tramitação, disponível no site da ALEMS. A definição desses parâmetros será central nas discussões das comissões, já que a eficácia de uma lei dessa natureza depende diretamente da robustez dos critérios que ela impõe.

O que vem pela frente

A proposta ainda precisa percorrer o rito ordinário de votação na Casa, passando por comissões temáticas antes de eventual deliberação no plenário. O debate tende a acirrar posições entre parlamentares que enxergam no mecanismo uma ferramenta legítima de controle e setores do Executivo que podem interpretar a obrigação como uma camada adicional de burocracia sobre a gestão dos programas.

Se aprovada e sancionada, a lei deverá exigir regulamentação posterior para definir como as avaliações serão conduzidas na prática — quem as realiza, com qual metodologia e quais as consequências institucionais para programas que não comprovem efetividade. É nessa fase que propostas semelhantes, em outros estados, encontraram seus maiores obstáculos: transformar a obrigação legal em prática administrativa concreta.

Fontes: ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE MATO GROSSO DO SUL