Milho despenca na CBOT nesta quinta e produtores de MS sentem pressão

Contratos futuros recuaram mais de 11 pontos em todos os vencimentos após máximas plurianuais; tensões geopolíticas sustentam cenário de fundo otimista, mas veja o que muda para quem vende agora.

Por

Divulgação

Os futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) amanheceram em forte queda nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, com recuos superiores a 11 pontos em todos os vencimentos — movimento que pressiona diretamente os produtores de Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os maiores produtores de milho do Centro-Oeste e cuja segunda safra ainda tem volumes relevantes a serem comercializados.

Por volta das 8h41 (horário de Brasília), o contrato de setembro/26 era cotado a US$ 5,07 por bushel, com perda de 11,25 pontos. O vencimento dezembro/26 recuava para US$ 5,31 (queda de 11,75 pontos), enquanto março/27 era negociado a US$ 5,46 e maio/27 chegava a US$ 5,53, ambos com desvalorização de 11,75 pontos. A movimentação reflete um típico movimento de profit taking — realização de lucros — depois de uma semana de ganhos expressivos.

Por que o milho caiu tão forte de uma vez?

A explicação vem diretamente do mercado americano. "Os contratos futuros de milho atingiram máximas plurianuais na semana passada. Isso levou os investidores que estavam comprados no mercado, ou que apostaram em preços mais altos, a aumentar as vendas e realizar lucros", disse Tony Dreibus, analista do portal norte-americano Successful Farming. Em outras palavras: quem comprou barato vendeu caro e embolsou a diferença — e esse volume de vendas derrubou as cotações durante a madrugada.

O movimento, apesar de intenso, não apaga o quadro estrutural que vinha sustentando as altas recentes. O próprio Dreibus ressalva que "fundamentalmente, as notícias têm sido predominantemente otimistas ultimamente", citando as tensões geopolíticas que continuam a agitar os mercados de commodities. Esse padrão de alta seguida de realização já foi observado em outras sessões recentes e tende a se repetir enquanto os fundamentos permanecerem aquecidos.

Guerras e petróleo: o pano de fundo que ainda segura o mercado

Por trás da volatilidade do dia, dois conflitos armados continuam dando o tom para as commodities agrícolas globais. "As tensões aumentaram em duas guerras que estão afetando os preços das commodities. Os EUA e o Irã continuam a atacar e contra-atacar, e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, continua em curso. Os preços do petróleo voltaram a subir durante a noite", detalhou Dreibus. O avanço do petróleo eleva os custos logísticos e de insumos ao redor do mundo, o que historicamente sustenta um piso mais alto para os grãos — fator que o agronegócio de MS acompanha de perto, dado o peso dos fretes sobre a rentabilidade da produção.

Para o produtor sul-mato-grossense que ainda segura estoque, o recado do mercado é de cautela no curto prazo, mas sem pânico: a queda desta quinta reflete ajuste técnico, não mudança de tendência. O próximo ponto de atenção do setor é o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que deverá trazer novas projeções de oferta e demanda global e pode tanto ampliar quanto reverter o movimento de hoje.

Fontes: CBOT; NOTÍCIAS AGRÍCOLAS; SUCCESSFUL FARMING