Soja de MS puxa alta de 17,6% nos embarques brasileiros em agosto
Brasil deve exportar 9,53 milhões de toneladas de soja no mês, enquanto milho recua 30%; veja o que os números significam para o agro sul-mato-grossense.
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O Brasil caminha para fechar agosto com um dos maiores volumes mensais de exportação de soja dos últimos anos: 9,53 milhões de toneladas programadas para embarque, alta de 17,6% sobre o mesmo mês de 2025. Os dados são da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), calculados com base na programação de navios da Cargonave, e reforçam o protagonismo do agronegócio brasileiro — com Mato Grosso do Sul entre os principais estados abastecedores dos portos que lideram a fila de embarque.
O resultado positivo da soja contrasta com o tombo do milho: a entidade projeta 5,13 milhões de toneladas exportadas no mês, queda de 30% na comparação anual. A divergência entre as duas culturas reflete tanto o calendário das safras quanto a maior competição do milho americano no mercado internacional — um cenário que interessa de perto a produtores do Cone Sul e do norte do estado, regiões onde a segunda safra de milho de MS tem peso expressivo na renda agrícola.
Soja acumula quase 95 milhões de toneladas em oito mesesCom a projeção de agosto incluída, o acumulado de exportações brasileiras de soja entre janeiro e agosto chega a 94,15 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% frente às 88,1 milhões de toneladas do mesmo período de 2025. O farelo de soja também avança: a Anec estima 2,19 milhões de toneladas exportadas só em agosto, alta de 8,5% sobre o ano anterior, e o acumulado anual do produto alcança 17,46 milhões de toneladas, crescimento de 13,1%.
Os portos que concentram o grosso dos embarques de soja na semana de 30 de agosto a 5 de setembro são Rio Grande, Santos, Paranaguá, São Francisco do Sul e Aratu/Cotegipe. Já o milho flui principalmente por Santos, Barcarena, São Luís/Itaqui e Itacoatiara — rotas que recebem parte da produção escoada pelo modal ferroviário e rodoviário que corta Mato Grosso do Sul até o litoral.
China domina compras de soja; milho vai para Irã, Egito e VietnãNo recorte por destino, a China segue absoluta: respondeu por 71% de todos os embarques brasileiros de soja de janeiro a julho. Nenhum outro comprador chega perto. No milho, o perfil é mais pulverizado — o Irã liderou com 30% do volume, seguido por Egito e Vietnã, cada um com 14%. O farelo de soja teve como principais mercados Indonésia, Tailândia, Holanda e França.
A concentração chinesa na soja é um dado que o produtor sul-mato-grossense conhece bem: qualquer oscilação na política de compras de Pequim — seja por câmbio, tensão comercial ou produção interna da China — reverbera diretamente nos preços pagos nas praças de Dourados, Maracaju e Naviraí, municípios que figuram entre os maiores produtores estaduais do grão.
O que os números significam para o agro de MSMato Grosso do Sul fechou a safra 2024/25 com produção de soja próxima a 12 milhões de toneladas, consolidando o estado entre os seis maiores produtores nacionais. A alta de 17,6% nos embarques de agosto sinaliza demanda firme pelo grão brasileiro no mercado externo — o que tende a sustentar o prêmio de exportação e, por consequência, a base de preço que o produtor recebe na fazenda.
Por outro lado, a queda de 30% no milho exportado acende um sinal de atenção para quem apostou na segunda safra da cultura neste ano. O recuo no volume embarcado pressiona cotações e reduz a margem do produtor, especialmente em um momento em que os custos de frete e insumos seguem elevados. Para o agro sul-mato-grossense, a equação de agosto é, portanto, de dois pesos: boas novas na soja, cautela no milho.
A Anec ressalva que todas as estimativas partem da programação de navios e podem ser ajustadas conforme as condições operacionais dos portos e fatores logísticos ao longo do mês.
Fontes: ANEC, CARGONAVE