Ampolas de tirzepatida e 66 perfumes apreendidos em Paranaíba
PMR parou uma Fiat Strada na MS-240 e encontrou medicamento importado escondido em garrafa térmica com gelo; mercadoria sem nota chegou a R$ 20.850
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A Polícia Militar Rodoviária (PMR) apreendeu R$ 20.850 em mercadorias estrangeiras sem documentação durante fiscalização na noite de sábado (29 de agosto) na MS-240, em Paranaíba. Dois homens, de 37 e 62 anos, transportavam o material em uma Fiat Strada: 66 perfumes, 23 ampolas de tirzepatida 15 mg, oito potes de tabaco e um pacote de cigarros — nenhum deles acompanhado de nota fiscal ou qualquer comprovante de importação regular.
O detalhe que chamou atenção dos policiais foi a forma como o medicamento estava acondicionado. As ampolas de tirzepatida foram encontradas dentro de uma garrafa térmica com gelo, numa tentativa de preservar a estabilidade do produto ao longo do trajeto. A precaução revela que os transportadores tinham algum grau de conhecimento sobre a substância: a tirzepatida é um fármaco termossensível, aprovado pela Anvisa em 2023 para o tratamento de diabetes tipo 2 e, mais recentemente, associado ao controle da obesidade, o que turbinou sua demanda no mercado brasileiro e, consequentemente, nas rotas de contrabando.
O medicamento das dietas e o corredor de entrada irregularA tirzepatida ganhou notoriedade no Brasil sobretudo após sua associação ao emagrecimento acelerado, tornando-se alvo de prescrições off-label e de um mercado paralelo que cresce à margem do controle sanitário. Comercializada legalmente sob o nome Mounjaro, a substância custa entre R$ 1.200 e R$ 2.500 por caneta injetável nas farmácias brasileiras, o que alimenta a busca por versões mais baratas vindas do Paraguai e da Argentina, onde o produto circula sem as mesmas exigências regulatórias. O problema é que, fora da cadeia de frio certificada e sem rastreabilidade de origem, o medicamento pode perder eficácia ou oferecer riscos diretos ao usuário.
Mato Grosso do Sul ocupa uma posição geográfica que o torna peça central nessa rota. Fazendo fronteira com o Paraguai por mais de 1.100 quilômetros, o estado é historicamente um dos principais corredores de entrada de mercadorias contrabandeadas no país. A MS-240, que liga Paranaíba ao interior paulista e goiano, funciona como via de escoamento para produtos que entram pelo oeste do estado e seguem em direção aos grandes centros consumidores. Não por acaso, a PMR mantém fiscalizações periódicas no trecho, onde abordagens com cargas não declaradas são recorrentes.
Apreensão encaminhada; situação dos ocupantes não foi confirmadaApós a abordagem, toda a mercadoria foi recolhida e encaminhada pelas autoridades para as providências cabíveis. A PMR não confirmou se os dois ocupantes da Strada foram autuados administrativamente ou conduzidos à delegacia. O transporte de mercadoria estrangeira sem documentação pode configurar tanto infração aduaneira quanto crime de descaminho, previsto no artigo 334 do Código Penal, com pena de um a quatro anos de reclusão — e a presença de medicamento sem registro sanitário pode agravar o enquadramento jurídico do caso.
O valor de R$ 20.850 foi estimado pelos próprios policiais rodoviários durante a vistoria. A investigação sobre a origem e o destino da carga, bem como eventual identificação de uma cadeia de fornecimento, depende agora da continuidade do trabalho da Polícia Civil e, no caso do medicamento, de eventual acionamento da Anvisa para análise das ampolas apreendidas.
Fontes: POLÍCIA MILITAR RODOVIÁRIA DE MS; MS TODO DIA