A prefeitura de Campo Grande e a administração de Turim, uma das principais cidades industriais da Itália, se reuniram nesta quarta-feira para recolocar em marcha um acordo de cooperação que existe há mais de duas décadas, mas que agora ganha novo fôlego — e uma ambição clara: atrair empresas europeias para a capital sul-mato-grossense aproveitando a posição estratégica do estado na Rota Bioceânica.
O encontro marcou a visita do prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, à Campo Grande pela primeira vez em mais de 20 anos. O cenário que ele encontrou desta vez, segundo ele próprio admitiu, é bem diferente daquele de sua visita anterior — e foi justamente essa transformação que reacendeu o interesse italiano pela capital de Mato Grosso do Sul como destino de investimentos.
"Quando a gente escuta falar sobre o Brasil, muito se ouve sobre São Paulo e outros estados, pouco se escuta sobre Mato Grosso do Sul. Esse é um cenário ainda pouco explorado pela Itália e demais países europeus", afirmou Lo Russo durante a reunião. A declaração resume o ponto central do reencontro: MS existe como oportunidade, mas ainda não foi descoberto pela Europa.
A prefeita Adriane Lopes argumentou que o momento é propício para mudar isso. Ela destacou que o PIB de Campo Grande cresce acima da média nacional e que a cidade já ocupa a segunda posição no estado em produção e exportação de grãos e celulose. O próximo passo, segundo ela, é agregar valor aqui mesmo: "O objetivo é que essa matéria-prima seja processada ainda na cidade, gerando maior valor aos produtos comercializados", disse a prefeita. Em outras palavras, deixar de exportar commodities brutas e passar a exportar produtos industrializados — exatamente o tipo de parceria que uma cidade como Turim, com tradição manufatureira, pode ajudar a construir.
O corredor que ligará o Atlântico ao Pacífico atravessando MS, o Paraguai, a Bolívia e o Chile passou a ser o principal argumento de Campo Grande nas negociações internacionais. "Hoje nós estamos no centro da Rota Bioceânica, e queremos estreitar o contato com a Europa para fortalecer a chegada de indústrias na cidade", afirmou Adriane Lopes.
Para Turim, a equação também faz sentido: empresas italianas que produzem em Campo Grande ganhariam acesso direto tanto ao mercado sul-americano quanto, via rota bioceânica, ao mercado asiático. O cônsul-geral da Itália no Brasil, Mauro Campanela, presente na reunião, lembrou que só em Mato Grosso do Sul já vivem mais de 3,5 mil italianos — uma base comunitária que funciona como ponte natural entre os dois países.
O acordo de cidades-irmãs entre Campo Grande e Turim foi assinado em 2003 e ao longo das décadas produziu laços que vão além do econômico. Lo Russo recordou que, desde então, cerca de mil voluntários italianos vieram à capital trabalhar no Hospital São Julião, instituição filantrópica com décadas de atuação em saúde pública na cidade.
Agora, o desafio é transformar boa vontade em contratos e instalações industriais. Lo Russo observou que as mudanças visíveis em Campo Grande — em termos de segurança, organização urbana e modernização — tornaram a cidade mais atraente aos olhos europeus. "É notório, principalmente quando se trata de segurança, organização e modernização, as mudanças vividas por aqui", disse o prefeito italiano. A próxima etapa, conforme sinalizado pelas duas prefeituras, é detalhar áreas concretas de cooperação econômica e definir quais setores industriais têm maior potencial de instalação na capital sul-mato-grossense.
Para Campo Grande, fechar esse ciclo significa dar um salto qualitativo: sair do mapa invisível da Europa e aparecer como destino real de investimento industrial — algo que, se vier a se concretizar, teria impacto direto na geração de empregos e na diversificação da base econômica do estado.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE