El Niño 2026: governo federal debate em Campo Grande risco de seca e incêndios em MS
Encontro presencial na UFMS reúne ministérios e sociedade civil para discutir políticas de resposta ao fenômeno que pode agravar secas no estado.
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O Governo Federal leva a Campo Grande, nesta semana, uma rodada de debate sobre os impactos do El Niño 2026/2027 em Mato Grosso do Sul. A capital sul-mato-grossense sedia o quinto encontro dos Diálogos Regionais El Niño, iniciativa que percorre sete cidades brasileiras para alinhar políticas públicas de resposta ao fenômeno com organizações da sociedade civil e movimentos sociais. O evento ocorre das 13h30 às 18h no Complexo Multiuso Prof. Decir Pedro de Oliveira, dentro do campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
A preocupação central é concreta: um Super El Niño tende a prolongar o período de seca no Centro-Oeste e elevar o risco de incêndios florestais — duas ameaças que MS já conhece bem. O Pantanal, bioma que cobre cerca de 30% do território estadual, foi devastado nos incêndios históricos de 2020 e enfrenta ciclos cada vez mais severos de seca desde então. Agora, com a janela climática 2026/2027 no radar, o governo busca antecipar respostas antes que a crise chegue ao ponto crítico.
O que está em debate na UFMSO encontro em Campo Grande reúne representantes de ao menos sete órgãos federais: Casa Civil, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério das Cidades (MCid), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério da Saúde e Defesa Civil Nacional, entre outros. A pauta envolve desde políticas de emergência climática até mecanismos de controle social — ou seja, como a sociedade organizada pode participar das decisões e fiscalizar as ações governamentais durante crises ambientais.
A diversidade de ministérios presentes revela a amplitude dos efeitos esperados: El Niño não é apenas problema ambiental. Ele afeta produção agrícola, abastecimento de água, saúde pública e infraestrutura urbana — todos os flancos que estarão representados na mesa em Campo Grande.
Campo Grande na rota nacional do diálogo climáticoA série de encontros começou em 20 de agosto no Rio de Janeiro e passou por Manaus (21/8), Fortaleza (27/8) e Santarém (28/8) antes de chegar à capital sul-mato-grossense. Depois de Campo Grande, a caravana segue para Petrolina em 3 de setembro e encerra o ciclo em Porto Alegre no dia 9 de setembro.
A escolha de Campo Grande como único polo do Centro-Oeste na série não é acidental. Mato Grosso do Sul concentra dois biomas altamente sensíveis ao regime hídrico — o Pantanal e o Cerrado —, além de uma fronteira agrícola expressiva onde a seca impacta diretamente a produção de soja, milho e pecuária de corte. O estado também registrou nos últimos anos alguns dos maiores focos de incêndio do país, com temporadas que paralisaram cidades, destruíram vegetação nativa e afetaram a qualidade do ar em todo o território.
O que muda para quem vive em MSPara o cidadão sul-mato-grossense, o encontro representa uma janela de participação rara: as diretrizes que saírem desses diálogos regionais devem nortear a alocação de recursos federais para prevenção, resposta a emergências e reconstrução pós-desastre. Produtores rurais, comunidades ribeirinhas, populações urbanas vulneráveis e povos indígenas — todos impactados de formas distintas pelo fenômeno climático — têm interesse direto no que será debatido na UFMS.
A temporada de seca de 2024 já deixou marcas profundas: o Pantanal registrou níveis históricos de queimadas, municípios como Corumbá e Aquidauana conviveram meses com fumaça densa, e o agronegócio sentiu a pressão da escassez hídrica sobre pastagens e lavouras. Se o ciclo El Niño 2026/2027 confirmar as projeções mais pessimistas, o estado precisará de um plano robusto — e o encontro desta semana é, ao menos no papel, um passo nessa direção.
Fontes: MINISTÉRIO DA CASA CIVIL, UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL