Cachoeira de 156 m e rios invisíveis de tão limpos: Bodoquena surpreende
A 265 km de Campo Grande, Bodoquena abriga a maior cachoeira de MS e rios filtrados por calcário — eleita 2ª melhor atração do Brasil em 2025.
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A cidade que o tupi-guarani batizou como "nascente em cima da serra" guarda um dos cenários naturais mais intactos de Mato Grosso do Sul: Bodoquena, no sudoeste do estado, é o lar da Cachoeira da Boca da Onça, com seus impressionantes 156 metros de queda, e de rios tão cristalinos que parecem invisíveis a quem os vê pela primeira vez. A combinação de calcário no subsolo, mata preservada e um parque nacional de 77 mil hectares coloca a cidade no mapa do ecoturismo brasileiro — e ainda bem abaixo do radar da maioria dos viajantes.
Enquanto Bonito concentra a fama e os preços do circuito sul-mato-grossense, Bodoquena fica a apenas 70 km de distância e oferece experiências comparáveis com muito menos gente. Quem parte de Campo Grande chega em cerca de 3h20 pela BR-262 até Miranda e depois pela MS-339 — um percurso de 265 km que termina em cânions com paredões de 80 metros e quedas d'água espalhadas pela serra.
O calcário que transforma a água em espelhoA transparência surpreendente dos rios de Bodoquena não é acaso nem sorte geográfica: é química. O calcário presente no subsolo da Serra da Bodoquena funciona como um filtro natural enquanto a água percola pelo solo, eliminando quase toda a turbidez e criando os tons azul-turquesa e verde-esmeralda que aparecem nos rios Salobra, Perdido, Formoso e Betione. O mesmo processo forma as chamadas tufas calcárias — depósitos minerais que constroem cachoeiras e barragens naturais ao longo dos cursos d'água, moldando a paisagem ao longo de milhões de anos.
Abaixo da superfície, esse processo geológico ainda moldou sistemas de cavernas inundadas que despertam o interesse de pesquisadores e mergulhadores especializados. A serra recebe e concentra a água das chuvas, mantendo as nascentes alimentadas e protegidas pela vegetação nativa — um ciclo que justifica, por si só, a criação do parque nacional em setembro de 2000.
Parque Nacional único em MS e cachoeira premiada mundialmenteO Parque Nacional da Serra da Bodoquena é a única unidade de conservação federal de proteção integral em Mato Grosso do Sul, administrado pelo ICMBio nos municípios de Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho. O parque ocupa uma zona de transição entre o Cerrado, o Pantanal e o maior fragmento remanescente de Mata Atlântica do estado — um mosaico que abriga mais de 340 espécies de aves, 195 de mamíferos e animais ameaçados como a onça-pintada e o cachorro-vinagre.
Dentro desse contexto, a Cachoeira da Boca da Onça ocupa lugar de destaque. O nome vem de uma formação rochosa que, vista de baixo, desenha o rosto de uma onça de boca aberta no meio da queda d'água. Em 2025, o atrativo recebeu o prêmio Travelers' Choice Best of the Best do TripAdvisor, sendo eleito a 2ª melhor atração do Brasil e a 3ª da América Latina. A fazenda que abriga a cachoeira destina 55% dos seus 2 mil hectares à preservação ambiental — um modelo que combina turismo e conservação raramente visto na região.
Como chegar e a melhor época para visitarPara quem sai de Campo Grande, o caminho mais direto segue pela BR-262 até Miranda e depois pela MS-339, totalizando 265 km e aproximadamente 3h20 de carro. Quem parte de Bonito tem o trajeto ainda mais curto: 70 km pela MS-178, percorridos em cerca de 1 hora. O aeroporto mais próximo é o de Bonito, com voos regulares vindos de São Paulo e Campinas.
A maioria dos atrativos fica em fazendas particulares com estrutura de receptivo, que oferecem rafting no Rio Salobra, flutuação no Rio Azul e trilhas por cânions para perfis variados — de famílias com crianças a praticantes de esportes radicais. O período seco garante rios mais cristalinos e trilhas mais transitáveis; no verão, as cachoeiras ganham volume, mas chuvas fortes podem restringir o acesso a alguns pontos da serra. Para quem ainda não foi, Bodoquena é o MS que está esperando ser descoberto — e a onça na pedra é só o começo.
Fontes: ICMBIO, TRIPADVISOR