Nas eleições gerais de 2026, os eleitores de Mato Grosso do Sul terão uma responsabilidade diferente da registrada em 2022: cada cidadão poderá votar em dois candidatos ao Senado Federal. Isso ocorre porque estarão em disputa duas das três cadeiras que representam o Estado na Casa Legislativa, dentro do processo de renovação de dois terços do Senado.
Mas afinal, qual é a função de um senador?
O Senado Federal compõe o Congresso Nacional ao lado da Câmara dos Deputados. Enquanto os deputados federais representam a população de acordo com o tamanho de cada estado, os senadores representam os interesses dos estados e do Distrito Federal em igualdade de condições. Por isso, cada unidade da federação possui exatamente três senadores, independentemente do número de habitantes.
Entre as principais atribuições dos senadores está a elaboração, discussão e votação de leis federais. Além disso, o Senado atua como Casa revisora de muitos projetos aprovados pela Câmara dos Deputados, podendo aprovar, modificar ou rejeitar propostas antes que elas sigam para sanção presidencial.
O cargo também possui funções exclusivas previstas pela Constituição. Cabe aos senadores aprovar indicações para cargos estratégicos da República, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), procurador-geral da República e membros da diretoria do Banco Central. A Casa ainda analisa questões relacionadas às finanças públicas e pode julgar autoridades acusadas de crimes de responsabilidade, incluindo o presidente da República em processos de impeachment.
Outro diferencial é a duração do mandato. Enquanto deputados federais exercem mandato de quatro anos, os senadores permanecem no cargo por oito anos. Mesmo assim, a renovação do Senado ocorre a cada eleição geral, alternando entre um terço e dois terços das cadeiras. Em 2026, serão escolhidos 54 dos 81 senadores do país, dois por estado e pelo Distrito Federal.
O foco em Mato Grosso do Sul
Para Mato Grosso do Sul, a eleição para o Senado tende a ser uma das mais disputadas do pleito de 2026. Os nomes eleitos terão a missão de representar os interesses do Estado em temas considerados estratégicos, como infraestrutura logística, agronegócio, desenvolvimento industrial, integração de fronteiras, segurança pública e investimentos federais.
O papel dos senadores é especialmente relevante para estados com forte participação no agronegócio, como Mato Grosso do Sul, já que muitas decisões sobre crédito rural, exportações, infraestrutura de transportes e questões tributárias passam pelo Congresso Nacional.
Além da atividade legislativa, os senadores também influenciam diretamente a destinação de recursos federais por meio de emendas parlamentares, instrumento utilizado para financiar obras, programas e investimentos em municípios.
Nas urnas, os sul-mato-grossenses deverão registrar dois votos distintos para o Senado. Os dois candidatos mais votados no Estado serão eleitos, sem a realização de segundo turno. Caso o eleitor tente votar duas vezes no mesmo candidato, apenas o primeiro voto será validado.
Com a renovação de duas das três cadeiras de Mato Grosso do Sul no Senado, a disputa promete ter impacto direto na representação política do Estado em Brasília pelos próximos oito anos, período considerado decisivo para projetos de desenvolvimento econômico e infraestrutura regional.